Só em Porto Príncipe já são quase 450 acampamentos de desabrigados pelo terremoto da semana passada, onde estão vivendo meio milhão de pessoas. O governo haitiano contratou ônibus para transportar os desabrigados que queiram deixar Porto Príncipe rumo ao norte e ao sul do país, e pretende retirar 400 mil da capital.
Nos campos de refugiados, a ONU pede que o governo agilize a distribuição de alimentos. O sistema de abastecimento de água da cidade funciona apenas parcialmente, mas caminhões-pipa começaram a entregar água em acampamentos improvisados, onde as pessoas fazem filas para encher seus baldes.
A violência e os saques diminuíram, já que as forças dos EUA fazem a segurança na distribuição de água e alimentos, e milhares de desabrigados seguiram a recomendação do governo para buscar abrigo na casa de parentes e amigos fora da capital.
Em Croix-des-Bouquets, a 17 km de Porto Príncipe, um batalhão brasileiro começou a preparar o terreno para instalar um campo de refugiados. O Banco Interamericano de Desenvolvimento quer construir casas sólidas para cerca de 30 mil pessoas no local.
Após dez dias de buscas intensivas por sobreviventes sob os escombros, as equipes concentram agora os esforços em fornecer assistência aos cerca de 3 milhões de haitianos afetados pelo terremoto. "As equipes de resgate se concentram cada vez mais na ajuda humanitária para as pessoas que precisam", explicou a porta-voz da Agência de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU, Elisabeth Byrs.
Embora não tenha sido feito nenhum anúncio oficial sobre o fim das buscas por sobreviventes, os EUA, que comandam a logística da ajuda humanitária no país caribenho, disseram ontem que preveem encerrar "em muito pouco tempo" esta fase para passar para o recolhimento dos corpos e a retirada dos escombros.
A ONU estima que cerca de 3 milhões de pessoas pedem ajuda humanitária e um milhão estão desabrigados em todo o país por causa do terremoto.
O governo haitiano e seus parceiros internacionais estão agora voltando suas atenções também para a reconstrução de longo prazo do país, que mesmo antes do terremoto já era caótico.