A Guarda Revolucionária iraniana faz exercício de ataque naval: tensão cresce no Golfo Pérsico| Foto: Mehdi Marizad/AFP

Diplomacia

Por apoio a Teerã, Lula receberá premiê turco

Folhapress, em São Paulo

O primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, visitará o Brasil no fim de maio, num reflexo da intensificação dos laços entre os dois países que tentam usar sua posição de membros rotativos do Conselho de Segurança da ONU para evitar novas sanções ao Irã.

A visita de Erdogan, prevista para o dia 27, será o tema central das conversas que o chanceler Celso Amorim terá hoje em Istambul com o colega Ahmet Davotoglu – que esteve em Brasília há duas semanas.

Brasil e Turquia lideram o movimento que rejeita a pressão das potências para impor novas sanções comerciais e financeiras ao Irã, acusado de ter um programa nuclear voltado para a fabricação da bomba atômica.

O presidente Lula e Erdogan apoiam o argumento de que não há provas de que Teerã esteja enriquecendo urânio para fins militares.

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O Irã concordou em conceder à agência de monitoramento nu­­clear da Organização das Nações Unidas (ONU) mais poder de inspeção e o direito de avaliar um local onde o país enriquece urânio em níveis mais elevados, in­­formaram ontem, em condição de anonimato, diplomatas iranianos.

A medida – indiretamente confirmada por um alto enviado iraniano – é tomada enquanto Teerã organiza uma ofensiva com o objetivo de impedir novas sanções da ONU por causa de seu de­­safio às exigências do Conselho de Segurança para frear suas atividades nucleares, que podem resultar na fabricação de armas.

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O Irã começou a enriquecer urânio perto de 20% dois meses atrás e disse que vai transformá-lo em barras de combustível nuclear para reatores de pesquisa para a fabricação de isótopos médicos usados no tratamento de pacientes com câncer.

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) tem pres­­sionado, em vão, para ter maior acesso às operações de enriquecimento desde o início do projeto.

Os diplomatas disseram que cerca de dez dias atrás o Irã concordou em princípio com algumas – mas não todas – as su­­pervisões solicitadas pela AIEA.

"Eles não concordaram com todas as medidas solicitadas pela agência, mas com ações suficientes para deixar a agência feliz" depois das duras críticas recebidas nos últimos dois meses, disse um dos três diplomatas à Asso­­ciated Press.

Ali Asghar Soltanieh, o enviado chefe do Irã à AIEA, indiretamente confirmou o acordo di­­zendo que os dois lados tiveram "conversações construtivas" so­­bre a questão.

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A decisão iraniana foi tomada pouco antes da visita que o mi­­nistro de Relações Exteriores do Irã fará à Áustria no fim de semana, a primeira parada de uma campanha internacional com o objetivo de enfraquecer as pressões norte-americanas para no­­vas sanções contra o país. Ma­­nouchehr Mottaki vai se reunir com seu colega austríaco Mi­­chael Spindelegger no domingo.

Bravata

Ainda ontem, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, acusou os países ocidentais de tentar apropriar-se e controlar os recursos do mundo, dizendo que agem de forma "arrogante" e "opressora". Ele deu as declarações durante visita ao Zimbábue. "O Irã e o Zimbábue decidiram permanecer firmes contra a ar­­ro­­gância, e não permitir que a injustiça, as violações da soberania e o empobrecimento continuem", disse.