O governo de Israel cortou ontem relações com o Conselho de Direitos Humanos da ONU, em reação à decisão do órgão de criar comissão para investigar os assentamentos judaicos nos territórios ocupados.
Israel anunciou ainda que não permitirá a visita da comissão ao país e que estuda sanções à Autoridade Nacional Palestina (ANP), que articulou a votação na ONU.
O governo israelense acusa o CDH, com sede em Genebra, de agir com "maioria automática" para condenar o país, com o voto dos países muçulmanos e a cooperação da maioria dos emergentes. Na sessão que aprovou a comissão, na semana passada, houve 36 votos a favor, 10 abstenções e só 1 voto contra, dos EUA.
Israel não integra o CDH, mas pode acompanhar sessões e fazer intervenções por ser membro da ONU. O embaixador israelense em Genebra foi orientado a suspender a cooperação e não atender nem a telefonemas do CDH.
O rompimento foi condenado na imprensa israelense, pelo risco de reforçar o isolamento diplomático do país. Mas o porta-voz do ministério das Relações Exteriores do país, Yigal Palmor, minimizou os possíveis danos. "Concluímos que tudo o que fazemos não adianta nada, simplesmente ignoram o que dissemos e fazemos", disse. "Se o conselho não coopera conosco, não vamos cooperar com ele", acrescentou.
Para ressaltar o argumento de que o CDH é tendencioso, Palmor disse que, de 82 condenações aprovadas desde 2006, 46 foram contra Israel, 5 contra a Síria e 2 contra o Irã. Ele confirmou que a missão da ONU será barrada.
Os palestinos festejaram a criação da comissão como mais uma vitória em sua campanha para pressionar Israel. Em 2011, a tentativa de reconhecimento da Palestina como membro pleno da ONU foi barrada no Conselho de Segurança, mas em seguida a Unesco se tornou a primeira agência da ONU a fazê-lo.
Nabil Shaath, um dos principais dirigentes da ANP, disse que a recusa de Israel em cooperar não bloqueará a investigação. Segundo ele, mapas e fotos estão sendo preparados para a análise da ONU: "Iremos a qualquer órgão internacional que possa investigar e impor sanções".
Em Jerusalém Oriental e na Cisjordânia, áreas ocupadas por Israel desde 1967, vivem cerca de 500 mil judeus, em assentamentos que a ONU considera ilegais. A presidente do CDH, a uruguaia Laura Lasserre, lamentou o afastamento. "É do interesse de Israel cooperar com o CDH nessa investigação, para explicar suas políticas e ações", disse.