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Um repórter do The New York Times foi forçado a deixar a China dois meses após o jornal ter publicado uma reportagem crítica à riqueza da família do primeiro-ministro Wen Jiabao.

Chris Buckley, que trabalhava na China como jornalista desde 2000, viajou para Hong Kong na segunda-feira (31) depois que as autoridades não concederam a ele um visto de trabalho para 2013 antes do ano acabar, informou o NYT.

Este é o último de uma série de casos nos quais, segundo os grupos de imprensa, as autoridades obstruíram o trabalho de jornalistas estrangeiros, que, por vezes, têm um relacionamento complicado com Pequim.

O jornal publicou em outubro uma investigação que relatava que parentes do primeiro-ministro reformista Wen Jiabao acumularam grandes riquezas durante seu mandato.

Os sites do jornal em inglês e chinês foram bloqueados na China desde a reportagem, que foi criticada por Pequim como uma tentativa de "manchar" a China e seus líderes.

"Eu lamento que Chris Buckley tenha sido forçado a sair da China, apesar de nossos diversos apelos para renovar seu visto de jornalista", afirmou Jill Abramson, editor-executivo do The New York Times, em um comunicado.

"Espero que as autoridades chinesas concedam a ele um novo visto o quanto antes e permitam que Chris e sua família retornem a Pequim".

David Barboza, chefe do escritório do jornal em Xangai que escreveu o artigo sobre Wen, era um dos outros seis correspondentes na China que tiveram seus vistos renovados.

Advogados que defendem a família de Wen rejeitaram as acusações publicadas na reportagem do jornal.

O caso de Buckley ocorre após uma recusa das autoridades em maio de renovar o visto da repórter da Al-Jazeera Melissa Chan - uma decisão que foi vinculada a um documentário feito pelo canal de notícias internacional sobre trabalhos forçados em prisões da China.

O Clube de Correspondentes da China falou que foi o último de uma série de casos nos quais o governo utiliza vistos de jornalistas para "censurar e intimidar" correspondentes estrangeiros na China.

Chan foi a primeira correspondente a ser expulsa do país desde 1998.

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