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Oriente médio

Líder do Fatah pede que Mahmoud Abbas dissolva governo do Hamas

Um alto funcionário do Fatah exortou no sábado o presidente palestino Mahmoud Abbas a dissolver o governo liderado pelo Hamas no prazo de duas semanas e acusou o primeiro-ministro Ismail Haniyeh de sedição. As declarações de Azzam al Ahmed, líder do bloco do Hamas no Parlamento, ressaltam a crescente amargura da luta pelo poder travada entre o grupo islâmico Hamas e Abbas, do Fatah, desde o fracasso em formar um governo de coalizão.

O governo disse que deplora as palavras de Ahmed, proferidas um dia após um discurso incendiário de Haniyeh, e que o líder do Fatah está promovendo uma "atmosfera negativa", após confrontos que já deixaram pelo menos 15 mortos na última semana e levantaram temores de uma guerra civil.

Mahmoud Abbas, que é moderado, sugeriu esta semana que pode dissolver o governo, depois de o Hamas rejeitar suas condições para a formação de uma coalizão que reconhecesse Israel pelo menos implicitamente. O Hamas está formalmente comprometido com a destruição do Estado de Israel.

- É hora de o presidente fazer uso de seus poderes constitucionais, e esperamos que ele o faça, como nos prometeu, no prazo de duas semanas - disse Ahmed a jornalistas em Ramallah, na Cisjordânia, falando do poder de Abbas de dissolver o governo. - Após esse prazo de duas semanas, a única solução será ou acordarmos um programa político para pôr fim à crise, ou irmos ao povo e promovermos novas eleições.

O Hamas assumiu o poder em março, depois de derrotar o Fatah, no governo havia muito tempo, numa eleição parlamentar em janeiro. O Fatah afirma que o presidente tem o direito de convocar eleições antecipadas. O Hamas disputa essa afirmação e diz que a decisão só pode ser tomada pelo Parlamento.

As declarações de Ahmed foram dadas em resposta a um discurso de Haniyeh na sexta-feira em que este exortou Abbas a retomar as conversações para a formação de uma coalizão de unidade nacional, ao mesmo tempo em que excluiu qualquer possibilidade de o Hamas vir a reconhecer Israel.

Haniyeh também acusou setores não identificados de tentar derrubar o governo, que vem enfrentando dificuldades sob um embargo de ajuda liderado pelos EUA com o objetivo de forçar o Hamas a reconhecer Israel, renunciar à violência e aceitar os acordos de paz. O Fatah quer erguer um Estado palestino ao lado de Israel.

- O discurso de Haniyeh provoca incitamento e encoraja a sedição - disse Ahmed, sem dizer exatamente que parte do discurso considerou sedicioso.

Respondendo a Ahmed, o porta-voz do governo Ghazi Hamad disse em declarações que as palavras do político do Fatah ''visam propositalmente criar um ambiente negativo''.

O deputado do Hamas Mohammed-Faraj al Ghoul, líder do comitê legal do Parlamento, acusou o Fatah de tentar solapar o Hamas para que este não investigue a corrupção durante o governo do Fatah. Acusações de corrupção foram largamente vistas como uma das razões da derrota do Fatah nas eleições.

Ahmed disse que o Hamas vem se envolvendo em corrupção desde sua chegada ao poder e ameaçou trazer os casos a público. Ele rejeitou a observação feita por Haniyeh na sexta-feira de que seu governo sobrevive às provações porque tira sua força de Deus.

- Se você foi levado ao poder por Deus, Haniyeh, por que tem medo de eleições? - disse ele.

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