Cidade do México - O México realiza neste domingo eleições para os governos de 12 de seus 31 Estados. Fatores regionais predominam na escolha dos votos, mas o país vota assustado com a crescente presença e a violência do crime organizado, principalmente depois de o candidato favorito ao governo de Tamaulipas, Rodolfo Torre Cantú, ter sido assassinado na última segunda-feira.
Em 12 Estados serão eleitos governadores, e em 14 deles haverá eleições para autoridades locais, como prefeitos e vereadores. No total, a disputa deve envolver cerca de 30 milhões de eleitores, para uma população total de 112 milhões de mexicanos.
Ao lado dos problemas econômicos, da dificuldade de conseguir emprego e da grande quantidade de subempregos, os mexicanos sofrem com o crime organizado.
O assassinato do candidato a governador de Tamaulipas pode ter sido mais um capítulo da disputa entre o Cartel do Golfo e seus antigos aliados, Los Zetas. Rodolfo Torre Cantú foi o político mais importante morto no país desde 1994, quando foi assassinado o candidato à Presidência Luis Donaldo Colosio.
"Tamaulipas é o Estado mais ingovernável do país, por causa do controle dos narcotraficantes", afirma Weldon. "Em Chihuahua (outro Estado mexicano também fronteiriço com os EUA), o problema é mais local na cidade de Ciudad Juárez , mas em Tamaulipas é no Estado todo."
Alguns apontam a disputa local como uma prévia das presidenciais de 2012, quando será escolhido o sucessor do presidente Felipe Calderón. No México não há reeleição. "São dinâmicas distintas", adverte Weldon. "Qualquer vitória, em qualquer Estado, é boa para qualquer partido. Mas eleições para governo não são um plebiscito sobre Calderón, elas têm a ver com a dinâmica de cada Estado e o partido no poder (local) tem muita força na campanha."
O professor Ángel Gustavo López Montiel, cientista político do Instituto Tecnológico e de Estudos Superiores de Monterrey, no norte do país, concorda. "Podemos nos lembrar do caso de 2005 e 2006, quando o PRI havia sido capaz de gerar uma situação similar à atual, com muitos triunfos e a recuperação de postos, mas no fim seu processo de seleção interna e os candidatos de outros partidos se converteram em obstáculos para que o PRI pudesse aproveitar a oportunidade que havia gerado", compara.
Montiel acredita que o cenário agora parece mais favorável ao PRI, que controla nove dos 12 governos em disputa, mas ressalta a necessidade de se saber primeiro os candidatos das principais siglas na disputa de 2012. "Considero que ainda falta muito para a eleição presidencial e que sua lógica é distinta."
Presidenciais
Para Helena Varela Guinot, diretora do departamento de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Ibero-americana, na Cidade do México, o PRI tem boas chances de retomar a presidência, apesar da distância das eleições de 2012. Segundo ela, o governador da capital, Enrique Peña Nieto, tem aparecido bem nas pesquisas e o PRI pode se aproveitar da "falta de resultados do PAN" (Partido da Ação Nacional, sigla de Calderón).
Além disso, outro nome que pode estar na disputa é o de Andrés Manuel López Obrador, do esquerdista Partido da Revolução Democrática (PRD), que em 2006 perdeu por pouco uma contestada disputa com Calderón pela presidência mexicana.