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O ministro das Finanças britânico, George Osborne, reuniu-se com executivos de empresas do magnata Rupert Murdoch 16 vezes desde a eleição geral de maio de 2010, segundo dados divulgados na terça-feira.

Os detalhes foram divulgados por departamentos do governo em resposta ao escândalo de escutas telefônicas envolvendo um dos jornais de Murdoch, que chamou a atenção para o relacionamento estreito entre políticos e organizações de mídia, especialmente a News Corp, de Murdoch.

Uma lista dos encontros de Osborne com proprietários, editores e executivos de empresas de mídia desde maio de 2010 mostra que ele teve cinco encontros com Rebekah Brooks, executiva da News International que renunciou a seu cargo neste mês pressionada pelo escândalo dos grampos.

Osborne se reuniu duas vezes com Rupert Murdoch para "discussões gerais" e quatro vezes com James Murdoch, filho de Rupert. Ele se reuniu com executivos de mídia de outras organizações em 38 ocasiões.

O secretário de Negócios, Vince Cable, destituído do poder de regulamentar o setor de mídia por ter afirmado que declarara guerra a Murdoch, registrou duas reuniões com jornais da News Corp: uma discussão geral com James Harding, editor do The Times, e um almoço de negócios com o Sunday Times.

Jeremy Hunt, o secretário de Cultura, que assumiu no lugar de Cable a responsabilidade de supervisionar a aquisição proposta da BSkyB pela News Corp, teve dois encontros com James Murdoch em janeiro para discutir o processo em torno da oferta proposta. A oferta foi anulada na esteira do furor provocado pelos grampos telefônicos.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, o vice-primeiro-ministro, Nick Clegg, e o líder trabalhista, Ed Milliband, já divulgaram detalhes das reuniões que eles próprios tiveram.

Cameron e Osborne são do Partido Conservador, que formou uma coalizão com os democratas liberais de Clegg nas eleições de 2010, afastando os trabalhistas do poder.

O escândalo no jornal News of the World, no qual investigadores acessaram as mensagens de voz de celebridades, vítimas de crimes e outras pessoas na busca de furos de reportagem, explodiu depois de vir à tona o fato de um investigador ter grampeado o telefone de uma menina desaparecida para acessar as mensagens que chegavam ao telefone dela.

Revelações subsequentes sobre as atividades do jornal forçaram Murdoch a fechar o News of the World e levaram à renúncia dos dois chefes de polícia mais seniores do país.

Agora se questiona se o escândalo teria ultrapassado os jornais da News Corp.

A Trinity Mirror, empresa que publica o tabloide de massas Daily Mirror, disse na terça-feira que lançou uma revisão de seus controles e procedimentos editoriais.

Um porta-voz da empresa disse que um dos objetivos da revisão interna, prevista para ser completada até meados de setembro, é assegurar que os gerentes tenham conhecimento da origem de qualquer matéria.

O grupo de jornais Daily Mail & General Trust afirmou que não publicou matérias baseadas em mensagens grampeadas.

Ao apresentar os resultados trimestrais da empresa, o executivo-chefe Martin Morgan disse a jornalistas em teleconferência que a empresa não vê necessidade de uma investigação interna sobre suas práticas na obtenção de notícias.

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