Gaza O gabinete de ministros do governo da Autoridade Palestina (AP), dirigido pelo Hamas, reuniu-se ontem em uma sessão extraordinária na Cidade de Gaza, para analisar a intensificação da violência nos territórios palestinos. Enquanto isso, representantes das diferentes facções palestinas pediram que o Hamas e o Fatah deixem para trás as acusações mútuas, a incitação e os enfrentamentos, que deixaram um morto e mais de 30 feridos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. As facções pediram que as duas formações retomem a negociação para formar um governo de unidade, que possa reconstruir as instituições palestinas. O primeiro-ministro da AP e líder do Hamas, Ismail Haniyeh, foi recebido ontem em Gaza por uma multidão, após voltar ontem de sua viagem por vários países árabes e muçulmanos, dos quais obteve doações avaliadas em US$ 35 milhões. Haniyeh teve de deixar a soma no Egito, pois Israel impediu que entrasse com o dinheiro em Gaza. Diante de cerca de 100 mil pessoas concentradas ontem em um ato lembrando os 19 anos da constituição do Hamas, Haniyeh disse que ele e seus partidários decidiram fazer parte do movimento islâmico para tornarem-se mártires e sacrificar suas vidas por Alá, não para serem ministros. Os atos de violência de ontem antecedem um discurso à nação que o presidente da AP, Mahmoud Abbas, deve fazer hoje.
Abbas deve fixar para o ano que vem um plebiscito sobre a convocação de eleições legislativas e presidenciais antecipadas. No entanto, dirigentes do Hamas afirmaram durante o ato em Gaza que será contra qualquer tentativa de forçar a realização de eleições antecipadas.