Manifestantes enfrentam a polícia depois de terem sido alvo de gás lacrimogêneo em Ferguson, no Missouri| Foto: Lucas Jackson/Reuters

Investigação

Autópsia indica que tiro na cabeça foi o que matou Michael Brown

Efe

O jovem afro-americano Michael Brown, que foi morto por um policial na cidade de Ferguson, no Missouri (EUA), recebeu "pelo menos seis disparos, dois deles na cabeça", disse ontem o legista contratado pela família Brown. Segundo o relatório preliminar da autópsia independente, Brown teria "sobrevivido" a todos os tiros, "exceto ao último, que acertou a cabeça", disse Michael M. Baden, ex-responsável de medicina legal da cidade de Nova York. "Os tiros na cabeça foram provavelmente os últimos efetuados contra Michael Brown", afirmou Baden em entrevista coletiva em Ferguson. O jovem foi baleado no dia 9 de agosto pelo policial identificado como Darren Wilson, mesmo estando desarmado. As versões da polícia e das testemunhas são diferentes. Baden acrescentou que os disparos "não foram feitos a curta distância" e que não havia "sinais de luta" no corpo de Brown. A versão policial alega que o jovem investiu contra o agente e que este precisou passar por atendimento médico devido às lesões sofridas no incidente.

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O presidente dos EUA, Barack Obama, vai enviar o procurador-geral Eric Holder a Ferguson, no Missouri, para se encontrar com autoridades de Justiça que investigam a morte de Michael Brown, o jovem negro que estava desarmado e foi atingido por tiros da polícia. Segundo Obama, Holder vai viajar para os subúrbios de St. Louis amanhã. O procurador autorizou recentemente a autópsia do corpo de Brown, que tinha 18 anos.

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O governo do estado norte-americano de Missouri enviou ontem oficiais da Guarda Nacional para Fergu­­son, no subúrbio de St. Louis, para ajudar na tentativa de controlar os protestos contra o assassinato do adolescente negro Michael Brown, morto a tiros por um policial branco no último dia 9.

Na noite de domingo, os policiais usaram gás lacrimogêneo para dispersar manifestantes, em resposta a tiros, saques e atos de vandalismo por parte daqueles que protestavam, segundo versão da própria polícia.

A morte do jovem Michael Brown elevou as tensões raciais entre a comunidade local predominantemente negra e a polícia formada na maioria por brancos.

O governador Jay Nixon disse que a Guarda pode ajudar a "restabelecer a paz e a ordem" em Ferguson, onde os protestos contra o assassinato entram na segunda semana. "Esses atos de violência são um desserviço à família de Michael Brown e à sua memória e às pessoas da comunidade, que clamam por justiça e por segurança", disse Nixon.

Obama

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A morte do garoto negro também reacendeu a discussão sobre racismo nos EUA. O presidente Barack Obama falou sobre o caso ontem e disse que a maior parte dos participantes do protesto em St. Louis segue o ato pacificamente, mas alertou que uma pequena minoria estava desobedecendo à lei.

Obama expressou sim­­patia pelos sentimentos de "paixão e raiva" impulsionados pela morte de Brown, mas disse que responder à dor por meio de saques e ataques à polícia apenas aumenta as tensões.

Para ele, a superação da desconfiança endêmica entre muitas comunidades e seus respectivos policiais requer que os norte-americanos "escutem e não apenas gritem".

"É assim que nós vamos avançar juntos: tentando nos unir e não simplesmente nos dividindo", disse O­­ba­­ma. O presidente pediu a Ferguson que o uso da Guarda Nacional seja limitado.