Exercícios recentes no Chade com 1.200 tropas africanas e forças americanas e europeias concentram-se na luta contra o grupo terrorista islâmico Boko Haram| Foto: Tyler Hicks/The New York Times

O juramento de fidelidade do Boko Haram, grupo militante baseado na Nigéria, ao Estado Islâmico em 7 de março, reforçou temores de que este grupo terrorista esteja crescendo além do Iraque e a Síria. Essas preocupações fizeram comandos americanos e aliados apressarem o treinamento de tropas africanas de contraterrorismo. O esforço nas fronteiras do deserto do Saara para combater militâncias como a do Boko Haram começou quando o grupo sequestrou meninas, matou milhares de pessoas e agora vem expandindo seus ataques para Camarões, Níger e Chade.

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“Quando a casa do seu vizinho pega fogo, você tem que apagá-lo, porque se não, a sua é a próxima”, disse o Tenente Coronel Brahim Mahanat, oficial do Exército do Chade durante um exercício militar americano realizado recentemente com 1.200 tropas africanas, forças especiais e comandos do ocidente.

 
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O treinamento deste ano — três semanas de pontaria, emboscadas e patrulhas no duro terreno do deserto — coincidiu com as operações reais. A capital chadiana, Ndjamena, está a apenas 50 km do território controlado pelos militantes na Nigéria, e o Boko Haram jurou vingança quando o Chade cruzou a fronteira e realizou ataques contra os integrantes do grupo. Policiais e soldados do exército intensificaram as patrulhas na capital em resposta a novos riscos, incluindo atentados suicidas.

O Boko Haram fez 200 mil refugiados nigerianos atravessarem as fronteiras de países vizinhos. No dia 7 de março, três explosões abalaram Maiduguri, matando dezenas de pessoas.

“O Boko Haram não é apenas uma ameaça ao nosso país ou à África. Ele é uma ameaça internacional”, disse o General de Brigada Zakaria Ngobongue, oficial chadiano que treinou na França e nos Estados Unidos, e que supervisionou o exercício deste ano.

Autoridades sugeriram que o Boko Haram, ao se alinhar mais intimamente com o Estado Islâmico, busca elevar sua posição no mundo jihadista para atrair combatentes e ganhar financiamento.

O Boko Haram chamou a atenção do mundo ao sequestrar cerca de 300 adolescentes na Nigéria em abril passado. Algumas garotas escaparam no início, mas nenhuma outra foi encontrada desde então, e acredita-se que muitas delas tenham se casado com os integrantes do Boko Haram. No ano passado, os EUA decidiram empregar US$ 40 milhões em três anos para ajudar a Nigéria, Níger, Chade e Camarões a melhorarem a segurança nas fronteiras e para financiar armas e equipamentos.

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Forças Armadas Especiais de Fort Carson, no Colorado, além das Operações Especiais Americanas e de instrutores militares de vários países do Ocidente estão treinando tropas africanas no Chade para conduzir patrulhas de combate e neutralizar emboscadas terroristas.

Com o apoio do Ocidente, líderes africanos criaram uma força regional de 8.700 membros para combater o grupo. Porém, Nigéria, Níger, Chade, Camarões e Benin — os países que contribuem com tropas — devem superar a desconfiança, as rivalidades e diferentes habilidades para formar uma unidade de combate eficaz, disseram autoridades.

A França reorganizou suas três mil tropas no Sahel — uma vasta área que se estende do Senegal ao Chade — para realizar operações de contraterrorismo com maior eficácia.

Chade, Níger e Camarões mobilizaram milhares de tropas para afastar o Boko Haram, cujo exército de 4 mil a 6 mil combatentes vem sobrecarregando o Exército da Nigéria. Até agora, suas tropas foram capazes de recuperar algumas das 30 cidades no nordeste da Nigéria que estavam em controle dos militantes desde o ano passado.

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As forças do Grupo Especial Antiterrorismo do Chade, treinadas pelos EUA e que combateram junto com tropas francesas no Mali contra afiliados da Al-Qaeda, estão entre as cinco mil tropas chadianas destacadas para combater o Boko Haram na região. A brigada de intervenção rápida de Camarões, treinada por Israel, também teve boa atuação, disseram especialistas ocidentais.

Essa atitude parece ter aumentado a resolução da Nigéria, pois suas tropas começaram a lutar mais eficazmente, disseram autoridades ocidentais. Autoridades nigerianas reconheceram que os militares do seu país haviam negligenciado o problema durante muito tempo.

Elas afirmam também que o armamento pesado do grupo está vindo da Líbia e do mercado negro e que seus vizinhos não conseguem controlar suas fronteiras.

Autoridades africanas dizem que um modelo de operação é a força africana criada há vários anos para combater o grupo militante islâmico Shabab, na Somália. Essa força, com tropas de Uganda, Quênia e Burundi, superou alguns obstáculos para emergir como uma unidade combatente eficaz.

Aqui em Mao, principal local do recente exercício militar, soldados africanos uniram-se aos americanos, dinamarqueses, italianos, belgas e a outros ocidentais para aprender novas técnicas, inclusive como reagir a uma emboscada inimiga.

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“Antes, todos achavam que essa era uma luta da Nigéria. Agora, outros países estão se envolvendo”, disse um comandante nigeriano.