
O presidente dos EUA, Barack Obama, disse ontem que está avaliando "todas as opções" disponíveis para ajudar o governo iraquiano a conter o avanço do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL). As conquistas da milícia nos últimos dias já ameaçam a capital, Bagdá.
"Não descarto nada", afirmou Obama a jornalistas, na Casa Branca, quando questionado sobre a possibilidade de ordenar a realização de ataques de drones [aviões não tripulados] no país.
De acordo com o presidente americano, é do interesse dos EUA impedir que os jihadistas obtenham ainda mais vantagem no combate e, por isso, o país já realizará ações imediatas, de curto prazo.
Segundo o jornal The New York Times, o premiê iraquiano, Nuri al-Maliki, fez diversos pedidos secretos a Washington por assistência militar contra extremistas, mas eles foram rejeitados.
De acordo com informações de autoridades americanas, o vice de Obama, Joe Biden, falou por telefone com Maliki na última quarta-feira, para debater a ajuda a ser dada.
Os acontecimentos recentes no Iraque mostram uma intensificação rápida do conflito. O país ainda vive as consequências da invasão dos EUA, ocorrida em 2003. O vazio deixado pela retirada das tropas americanas, em 2011, é uma das razões para a instabilidade.
Estímulo
Obama declarou que "haverá algumas medidas de curto prazo que precisam ser feitas militarmente. Nossa segurança nacional analisa todas as opções". Mas ele também incentivou o governo xiita do primeiro-ministro Nouri al-Maliki a buscar um compromisso político que permita que xiitas e sunitas moderados trabalhem contra os jihadistas. "Isso pode ser também um estímulo para o governo iraquiano", disse Obama.
O presidente declarou que ações americanas podem também ajudar a assegurar que os extremistas não estabelecerão uma base permanente no Iraque ou na Síria, da qual possam lançar ataques contra outros países, entre eles os EUA e a Austrália.
Tropas curdas defendem cidade petrolífera contra insurgentes
Folhapress
As tropas curdas (chamadas "peshmergas") tomaram o controle total ontem da cidade petrolífera de Kirkuk, no Iraque, após o Exército e a polícia federal abandonarem a localidade, que também está ameaçada pelos insurgentes sunitas.
Em ofensiva, o grupo terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL) se dirige à capital Bagdá. Nesta semana, ele assumiu o controle de Mossul, segunda maior cidade iraquiana, e sitiou a cidade de Baiji, sede de uma refinaria de petróleo.
Um responsável do alto escalão da União Patriótica do Curdistão (UPK), Sadi Pire, disse que Kirkuk está tranquila e que os "peshmerga" tomaram as medidas adequadas para enfrentar qualquer ataque.
Na última quarta-feira, o ministro de Relações Exteriores do Iraque, Hoshyar Zebari, ele próprio um curdo, foi citado como tendo dito que a minoria curda iria "trabalhar em conjunto" com as forças de Bagdá para "expulsar esses combatentes estrangeiros".