Na véspera de uma reunião em Genebra sobre a crise entre Moscou e Kiev, a Otan anunciou nesta quarta-feira (16) medidas imediatas para reforçar a segurança na Europa Oriental. De acordo com o secretário-geral Anders Fogh Rasmussen, aviões e navios vão realizar novas missões na região do Báltico, incluindo o Mediterrâneo, e militares serão enviados para melhorar a preparação e o treinamento. Separatistas ocupam edifícios públicos em pelo menos 10 cidades da região.

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"Vamos reforçar nossas forças no mar, no ar e na terra imediatamente, o que significa dentro de poucos dias", disse Rasmussen, em entrevista coletiva.

Nesta quarta-feira, vários blindados com bandeiras russas circulavam na região Leste da Ucrânia controlada em parte por insurgentes pró-Rússia. Na cidade de Kramatorsk, pelo menos três blindados leves e um caminhão transportavam homens armados, uniformizados mas sem insígnias. O comboio seguia para Slaviansk, alguns quilômetros mais ao norte, cidade controlada desde domingo por insurgentes armados pró-Moscou. Segundo a imprensa russa são tanques ucranianos que teriam decidido unir-se aos insurgentes, mas as autoridades ucranianas negam.

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Em Donestk, onde há dez dias os insurgentes separatistas ocupam a sede da administração regional, pelo menos 20 homens armados e encapuzados invadiram a prefeitura . De acordo com o Serviço de Segurança Ucraniano (SBU), os comandantes separatistas têm ordens do Kremlin de "atirar para matar". Diante do agravamento da crise, o ministro ucraniano da Defensa, Mikhailo Koval, viajou ao Leste do país para elaborar um relatório sobre a situação.

A escalada coincide com a reunião prevista para quinta-feira em Genebra, onde representantes da Rússia, Ucrânia, União Europeia e Estados Unidos tentarão buscar uma solução para o conflito, o mais grave entre Moscou e o Ocidente desde a Guerra Fria. A Rússia quer uma "federalização" do país - o que daria uma grande autonomia às regiões do leste -, mas Kiev rejeita a ideia por temer que represente o primeiro passo para uma dissolução do país.

O primeiro-ministro ucraniano, Arseni Yatseniuk, que acusou a Rússia de estar construindo um novo "muro de Berlim", revelou que a Ucrânia pedirá a Moscou que deixe de apoiar os separatistas. Já o presidente russo, Vladimir Putin , acusou na terça-feira o governo ucraniano de instigar uma guerra civil na região. A Rússia também pediu "uma condenação clara da ONU e da comunidade internacional" do que considera ações inconstitucionais.