O Papa Bento XVI aceitou a renúncia do bispo irlandês John Magee, por causa do escândalo de abusos sexuais contra crianças na Igreja Católica na Irlanda, anunciou ontem o Vaticano. Magee, de 73 anos, é acusado de lidar de modo errado com as denúncias contra sacerdotes de sua diocese de Cloyne. O Vaticano anunciou que o papa aceitou a renúncia dele, sem dar mais detalhes.
Antes de ser designado para a Irlanda, Magee havia sido secretário dos papas Paulo VI, João Paulo I e João Paulo II.
As investigações ordenadas pelo governo irlandês trouxeram a público informações sobre abusos sexuais contra crianças, cometidos por membros da Igreja, e também os esforços para encobri-los. Em carta difundida pelo Vaticano, no sábado, o pontífice pediu perdão por décadas de abusos, mas não anunciou medidas contra os sacerdotes acusados de encobrir o problema.
O bispo John Magee pediu desculpas às vítimas de padres pedófilos que foram mantidos nos seus cargos durante os 23 anos em que ele supervisionou a diocese de Cloyne.
"Para aqueles com os quais eu fracassei e para os quais qualquer omissão minha tenha feito que sofressem, eu imploro perdão", disse Magee em comunicado.
O Vaticano está na defensiva por causa de crescentes acusações de que líderes da Igreja protegeram padres e religiosos que abusaram de crianças por décadas em vários países.
No sábado, Bento XVI publicou uma carta sem precedentes à Irlanda, lembrando dos 16 anos de cobertura de escândalos na Igreja local. Mas ele ainda precisa se manifestar sobre o caso do reverendo Peter Hullermann, acusado de abusar de meninos, que aconteceu quando o Papa, então cardeal Joseph Ratzinger, supervisionava a arquidiocese de Munique, entre 1977 e 1982.
O porta-voz da arquidiocese de Munique, Bernhard Kellner, disse ontem que uma nova pessoa declarou ter sido abusada por Hullermann em 1998. Kellner não deu mais detalhes sobre o caso.