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O papa Leão XIV realizou, na manhã deste sábado, uma breve visita à República de San Marino, um enclave dentro do território italiano, localizado a cerca de 300 quilômetros de Roma. Foi a terceira visita de um pontífice à microrrepública, após João Paulo II, em 1982, e Bento XVI, em 2011. Em um discurso às autoridades e à sociedade civil, reunidas no Palazzo Pubblico, Leão XIV falou sobre liberdade de consciência e defendeu um cuidado com o ser humano que se manifesta na “proteção de toda vida, em todas as fases, da concepção à morte natural”.
“Liberdade”, palavra que constitui o lema do país de quase 35 mil habitantes, é um termo de “enorme densidade”, disse o papa, acrescentando que “não há verdadeira liberdade civil sem liberdade pessoal”. Leão XIV recordou, então, “tantos homens e mulheres que, em todas as épocas e em todos os lugares, são mártires da liberdade porque testemunham precisamente o primado da consciência”, citando particularmente São Thomas More, padroeiro dos políticos – More era conselheiro do rei inglês Henrique VIII e foi morto por ordem dele, ao se recusar a deixar a Igreja Católica para aderir à Igreja Anglicana, que o monarca havia criado ao romper com Roma. “Ainda hoje, em muitas partes do mundo, não faltam pessoas que permanecem fiéis à própria consciência, mesmo em contextos de forte adversidade, testemunhas da verdadeira liberdade, aquela que deriva de serem filhos e filhas de Deus. Com admiração, expressamos a nossa solidariedade a todos aqueles que, neste momento, pagam pessoalmente por não terem traído a própria consciência”, continuou o papa.
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Leão XIV recordou sua visita recente a outro micro-Estado, o Principado de Mônaco, afirmando que Mônaco e San Marino podem viver uma “democracia mais efetiva” por causa da “proximidade da política às necessidades dos cidadãos”. “A República de San Marino pode ser um ‘laboratório’ de boa política, onde, sem derrogar a laicidade do Estado, é possível inspirar-se nos princípios da doutrina social católica: a busca do bem comum, o destino universal dos bens, a harmonia entre subsidiariedade e solidariedade, a justiça social”, disse o papa, explicando que o principal objetivo desse “laboratório” é o cuidado com o ser humano. “Uma comunidade como a vossa, ao mesmo tempo rica de valores tradicionais e atualizada no plano tecnológico, pode buscar esse objetivo de forma eficaz, por meio de um cuidado que se traduz na proteção de toda vida, em todas as suas fases, da concepção à morte natural”, continuou o papa.
O tema da proteção da vida humana tem aparecido frequentemente em discursos de Leão XIV às elites políticas e governantes dos países que visita. Na Espanha, em junho deste ano, diante de muitos parlamentares defensores da ampliação do acesso ao aborto no país, Leão XIV fez uma defesa ainda mais enfática do direito à vida. “Pode chamar-se plenamente justa uma comunidade que deixa na sombra a criança ainda não nascida, o idoso, o doente, quem sofre em silêncio ou quem depende inteiramente do cuidado dos outros?”, questionou em discurso no parlamento espanhol. “A defesa da vida humana não é uma questão parcial nem um interesse confessional: é uma meta de civilização. Toda vida humana deve ser reconhecida e guardada desde a sua concepção até ao seu ocaso natural, em cada circunstância da sua existência”, concluiu.
Após o discurso, o papa saudou os fiéis da sacada do Palazzo Pubblico e se dirigiu à Basílica Diocesana de São Marino, para orações e um encontro com a comunidade católica local, entre clero, religiosos e religiosas, catequistas e fiéis. Aos jovens, Leão XIV pediu que abracem “com entusiasmo” sua missão, sem medo de fazer “escolhas exigentes, como o matrimônio, a consagração, o ministério ordenado, a vida profissional, o engajamento social e político”. Leão XIV deixou San Marino por volta de meio-dia, no horário local, e termina o dia em Rimini, cidade italiana na costa do Mar Adriático, onde discursa em um encontro de jovens e celebra missa.




