Direita e esquerda no Uruguai protagonizam uma discussão pública a respeito da presença de representantes de Cuba, Nicarágua e Venezuela na posse do novo presidente do país, o esquerdista Yamandú Orsi, no próximo dia 1º.
Na sexta-feira (14), o presidente conservador Luis Lacalle Pou, que está deixando o cargo, decidiu não assinar os convites aos líderes das três ditaduras de esquerda que foram requisitados pela equipe de Orsi.
O senador Álvaro Delgado, correligionário de Lacalle Pou e derrotado por Orsi na eleição presidencial de 2024, chamou a decisão de “coerente e corajosa”, segundo informações veiculadas pela imprensa do Uruguai.
“Temos sido muito críticos em relação aos eufemismos. Chamamos de ditaduras o que são ditaduras e agimos de acordo”, afirmou, antes de apontar que na Frente Ampla, coalizão de Orsi, “alguns realmente queriam convidar [o ditador da Venezuela, Nicolás] Maduro”.
Orsi disse durante a campanha que “a Venezuela é uma ditadura” e também questionou a lisura da eleição de julho de 2024 no país caribenho, mas partidos dentro da sua coalizão discordaram dele.
O Movimento de Libertação Nacional, partido que surgiu do grupo guerrilheiro Tupamaros, chamou a fraude venezuelana de “ato eleitoral exemplar”, enquanto o líder do Partido Comunista, Rony Corbo, disse em entrevista à Rádio Carve que a “vitória” de Maduro foi “legítima”.
Segundo informações da emissora uruguaia Teledoce, na quinta-feira (13), o futuro secretário da Presidência da gestão Orsi, Alejandro Sánchez, havia sido perguntado se Maduro havia sido convidado para a posse e confirmou que sim.
“Convidamos todos os presidentes e todos os países com os quais temos relações diplomáticas”, respondeu.
No sábado (15), durante a abertura da 50ª legislatura do Parlamento uruguaio, a vice-presidente de Orsi, Carolina Cosse, seguiu a mesma linha.
“O Uruguai deve convidar todos os países com os quais mantém relações diplomáticas porque a democracia se cuida no conteúdo e também nas formas”, disse, de acordo com o jornal uruguaio El País.
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