Quebec O reconhecimento de Quebec como nação, aprovado em moção na última segunda-feira, pela Câmara dos Comuns do Parlamento canadense, tem sido alvo de debate durante toda esta semana no Canadá. A maior província do país e a segunda mais habitada do Canadá, recebeu o reconhecimento de nação por ampla maioria de votos, 266 a 16, num projeto apoiado pelo partido Conservador (governista), pela maioria do Partido Liberal, pelo separatista Bloco do Quebec (BQ) e pelo social-democrata NDP.
O debate dá-se em torno de quem compõe a nação de quebequenses. A dúvida surgiu por conta da palavra usada para definir quebequenses. Redigida em inglês e em francês (80% dos habitantes de Quebec são descendentes de franceses), a moção usa "québécois", para a versão em francês, e "quebecers", para a versão em inglês. Ocorre que as duas palavras em seus respectivos idiomas têm significados sutilmente diferentes. São, porém, diferenças suficientes para incluir ou excluir indivíduos da nação quebequense.
Em inglês, "quebecers" refere-se aos francófanos nativos ou habitantes de Quebec, já no francês a palavra "québécois" é um pouco mais abrangente e define todos os habitantes da província. Com isso, a nação, se interpretada pelo texto em inglês tem um composição e se interpretada pelo correspondente em francês tem outra.
É claro que o texto provocou a indiginação da academia. Professores de filosofia e de ciência política consultados pelos dois principais jornais do país se dizem indignados com o modo como os Comuns aprovaram a moção cuja palavra-chave tem distintos significados.
Os parlamentares, que não atentaram para essa sutileza semântica, tentam pôr panos quentes no debate. O premier da província do Quebec, Jean Charest, diz que ninguém deve ter qualquer dúvida sobre quem está na nação quebequense. "Falamos de todo o cidadão de Quebec, independentemente de suas origens", afirmou à imprensa canadense. Na mesma linha segue o líder do Senado canadense, Marjory Lê Breton, para quem "a nação é inclusiva e abrange todos os canadenses" A confusão também levantou o temor de um recrudescimento das iniciativas separatistas em Quebec, que já deram origem a dois referendos populares. No último, em outubro de 1995, os independentistas perderam por uma pequena margem.
A jornalista viajou a convite da Air Canada.