Rainha Elizabeth II recebe flores de súditos em Melbourne, Austrália. Monarca britânica só assumiu o posto porque seu pai, George VI, teve apenas filhas| Foto: Alex Coppel/Reuters
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Veja como teria sido a história se as mulheres tivessem tido direitos iguais
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Faz apenas seis meses que Will­­iam e Kate Middleton subiram ao altar, mas o efeito modernizante que o casamento teve parece não ter parado no fato de o príncipe desposar uma plebeia: líderes da Comunidade Britânica aprovaram ontem a proposta do premier David Cameron de acabar com a discriminação de gênero na sucessão ao trono britânico. A decisão, anunciada no encontro em Perth, Austrália, significa que, caso Wil­­liam e Kate tenham uma filha co­­mo primogênita, ela não perderá o direito à coroa para seus irmãos.

A mudança, aprovada por una­­nimidade pelos 16 países que reconhecem o monarca britânico como chefe de Estado, põe fim a mais de 300 anos de situações em que mesmo a primogenitura não era garantia para a coroação de mulheres. Elizabeth II, por exemplo, só assumiu o posto porque seu pai, George VI, teve apenas filhas. O fim da discriminação de gênero tira também o Reino Uni­­do de uma lista minoritária de monarquias europeias que ainda aderem ao machismo — Mônaco e Espanha são as únicas que conservam o direito automático masculino. "A ideia de que um filho mais jovem tome o lugar de uma irmã mais velha só porque é homem não condiz com os países modernos que nos tornamos", disse Ca­­meron.

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Religião

Também foi anunciado o fim da proibição para ocupantes do trono se casarem com católicos, um anacronismo das guerras religiosas que marcaram a monarquia britânica desde o século 16, quan­­do Henrique VIII rompeu com a Igreja Católica e criou a Angli­­ca­­na — e que não se estende ao ju­­daísmo e ao islamismo.

Os católicos formam menos de 10% da população britânica, mas conver­­sões célebres como a do ex-premier Tony Blair ajudaram a pressionar o fim do veto.

No entanto, o fato de o monarca britânico ser também o líder simbólico da fé anglicana ainda proíbe a ascensão de católicos ao trono — o último ocupante foi Jai­­me II, deposto por um golpe protestante em 1688 —, o que explica a ausência de propostas mais am­­biciosas para a minoria. Nem todo mundo, porém, concordou: o premier escocês, Alex Salmond, re­­cla­­mou do que chamou de oportunidade perdida.

"É decepcionante que católicos ainda não tenham direitos à sucessão. Tínhamos a chance de assegurar uma igualdade religiosa. Certamente é possível encontrar mecanismos que protejam o status da Igreja An­­gli­­ca­­na sem que essa barreira in­­justificável continue a existir", afirmou.

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Futuro

A nova legislação, porém, só co­­meça a valer a partir de William e Kate, cuja entrada na família real já tinha sido estrondosa por ser a primeira plebeia em mais de 300 anos.

O fim da discriminação de gênero, porém, não é retroativo. Isso significa, por exemplo, que a princesa Anne, a única filha de Elizabeth II, continua atrás dos irmãos mais novos, An­­drew e Ed­­ward, na linha de sucessão, bem como de seus filhos — em vez de quarta na fila, ela hoje é a décima.