
O vice-presidente da Argentina, Amado Boudou, foi convocado pela Justiça, ontem, para interrogatório em um caso onde é investigado por suspeitas de atos de corrupção. Esta é a primeira vez que a Justiça do país convoca um vice-presidente no exercício da função para prestar depoimento em inquérito. Além de Boudou, o promotor público federal Jorge Di Lello pediu a convocação do titular da Administração Pública Federal de Rendas Públicas (Afip), Ricardo Echegaray, equivalente à Receita Federal.
O suposto envolvimento do vice-presidente no caso denominado "Ciccone" e o interrogatório acentuam a fragilidade enfrentada pelo governo da presidente Cristina Kirchner, em meio à queda de popularidade e da desconfiança sobre os rumos do país, além da crise cambial, somada à inflação elevada.
O escândalo envolvendo Boudou estourou em janeiro de 2012, quando a justiça começou a investigar irregularidades na venda de uma gráfica de impressão de dinheiro, placas e passaportes, chamada "Ciccone Calcográfica", para o fundo administrado por um amigo de infância do vice-presidente, Alejandro Vanderbroele. Após a venda, a gráfica passou a chamar-se Companhia de Valores Sul-americana S.A., e fechou milionário contrato com a Casa da Moeda para imprimir 410 milhões em notas de 100 pesos.
Vandebroele foi apontado pela própria ex-esposa dele, Laura Muñoz, como testa de ferro de Boudou na aquisição da ex-Ciccone. Muñoz decidiu revelar a trama por medo das ameaças do empresário. Conforme declarações à Justiça, seu ex-marido comprou a empresa que estava em falência com a ajuda de Boudou, quando era ministro de Economia.