Biden visita loja em Belém, na Cisjordânia: vice criticou atitude de Israel| Foto: David Furst/AFP

Em visita à Cisjordânia, o vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, criticou ontem a decisão israelense de construir 1,6 mil casas em território palestino.

CARREGANDO :)

A medida foi anunciada um dia antes, quando Biden iniciava um giro pela região para avançar o chamado "diálogo indireto" en­­tre palestinos e israelenses.

Cons­­trangido, o governo de Israel pe­­diu desculpas pelo mo­­mento ino­­portuno do anúncio, mas assegurou que manterá seus planos.

Publicidade

"A decisão do governo de Is­­rael de avançar a construção de novas casas em Jerusalém Orien­­tal mina aquela confiança tão ne­­cessária para se iniciar negociações", afirmou Biden em Ra­­mallah, ao lado do presidente pa­­­­­­lestino, Mahmoud Abbas. "É fun­­damental que ambas as partes construam uma atmosfera de apoio ao diálogo, e não uma que o complique." O vice-presidente alertou ainda que não é prudente "inflamar tensões".

Biden reafirmou o compromisso da Casa Branca com a criação de um Estado palestino "viável e com contiguidade territorial", em um claro sinal de que os EUA esperam uma retirada israelense significativa da Cisjordânia.

A Autoridade Nacional Pales­­tina (AP) afirma que os atuais assentamentos de Israel em territórios ocupados em 1967 tornam inviável um Estado palestino viável.

Um integrante do gabinete do primeiro-ministro de Israel, Ben­­jamin Netanyahu, desculpou-se e disse que a coincidência entre o anúncio e a visita de Bi­­den causaram "grande constrangimento".

O ministro israelense de In­­terior, Eli Yishai, alegou que o problema foi de tempo e não de conteúdo. "Não tivemos intenção ou desejo de ofender ou in­­sultar um homem importante como o vice-presidente durante sua visita", disse Yishai à rádio Israel

Publicidade

"Sinto muito pelo embaraço. Precisamos nos lembrar que as aprovações são feitas de acordo com a lei, mesmo se a hora tiver sido errada... Da próxima vez precisamos levar isso em conta".

A expansão em Jerusalém Ori­­ental foi revelada na terça-feira pelo Ministério do Interior de Is­­rael – pasta controlada pelo partido direitista e religioso se­­fardita Shas. Segundo assessores de Netanyahu, o partido da coalizão teria tomado a iniciativa à revelia do gabinete.

A diplomacia americana considerou "incomum" o comportamento de Israel diante da visita de Biden. O embaraço ofuscou a iniciativa americana de relançar negociações de paz entre israelenses e palestinos. A Casa Branca havia afirmado no fim de semana que tanto palestinos quanto israelenses aceitariam um "diálogo indireto", mediado pelos Estados Unidos, para avançar em direção à paz.