O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, declarou-se disposto a submeter-se a julgamento diante da Justiça de seu país pelos supostos crimes que levaram a sua destituição, há três meses. "Estou disposto a ir aos tribunais, o que não me permitiram na época, porque me tiraram do país", disse Zelaya em entrevista pelo telefone ao jornal uruguaio El Observador. "Estou disposto a responder às acusações que há contra mim. Por isso voltei, porque sou inocente", assegurou o presidente, abrigado desde o dia 22 na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa.

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Zelaya foi destituído pelo Congresso, sob acusação de não obedecer a decisões da Corte Suprema, que o impediam de realizar uma consulta popular sobre a convocação de uma Assembleia Constituinte.

A Corte também impugnou sua decisão de destituir o general Romeu Vásquez, comandante das Forças Armadas, que se recusara a realizar a consulta popular. Mas não houve julgamento pela Corte da destituição de Zelaya, que, portanto, não teve chance de defender-se.

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Ele disse também não acreditar que o presidente de facto, Roberto Micheletti, "chegue ao extremo" de mandar invadir a embaixada brasileira para tirá-lo de lá à força. "O governo de facto carece de legitimidade em todos os sentidos", avaliou Zelaya. "A solução desta crise passa pela minha restituição, e pelo respeito à democracia."

Zelaya afirmou que, apesar das declarações "infelizes e grosseiras" do representante alterno dos Estados Unidos na Organização dos Estados Americanos (OEA), Lewis Amselem, que qualificou seu retorno a Honduras de "tolo e irresponsável", o governo americano o apoia.

Ele disse ter recebido telefonemas da secretária de Estado, Hillary Clinton, e de outros funcionários do Departamento de Estado, que "esclareceram a posição do governo dos Estados Unidos e disseram que estão trabalhando pelo restabelecimento pacífico da democracia em Honduras" e por sua "restituição".

Cerca de 300 pessoas se reuniram nesta quinta-feira diante da Embaixada dos Estados Unidos em Tegucigalpa para protestar contra o que consideram o governo "golpista" de Micheletti e pela volta de Zelaya ao poder.

"Mel, aguenta, que o povo se levanta", gritavam os manifestantes, chamando Zelaya por seu apelido. Centenas de policiais com escudos e bombas de gás lacrimogêneo observavam os manifestantes.

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Antes, a polícia havia impedido uma aglomeração na frente do Canal 36, tirado do ar pelo governo de facto, assim como a Rádio Globo, por veicularem mensagens de Zelaya. A polícia exigiu que os manifestantes saíssem da frente da embaixada. Cerca de 120 deles fizeram uma passeata até a Catedral, no centro histórico da cidade, antes de se dispersar. Não houve incidentes. Nova manifestação foi convocada para amanhã, às 8h locais, em frente à embaixada americana.