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Mão de obra: a dor do crescimento da construção civil no Paraná
| Foto: Scott Blake/Unsplash

Foi motivo de muita comemoração o resultado da última década no setor da construção civil paranaense. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nossa indústria cresceu 40,7% entre 2013 e 2022, enquanto o incremento em todo o Brasil foi de 13,5%. Passamos da sétima para a quarta posição nacional e, hoje, empregamos mais de 120 mil pessoas.

No primeiro trimestre deste ano, fomos ainda o quarto estado que mais gerou empregos formais nessa área: 7.777 vagas das mais de 109,9 mil, de acordo com os dados do Ministério do Trabalho e Emprego. São dados animadores, sem dúvida, e revelam a força e qualidade do segmento. Geramos renda e desenvolvimento para milhares de famílias, ao mesmo tempo em que os empreendimentos que realizamos, sejam edificações, estradas ou indústrias, movem a economia de diferentes setores. Porém, todo crescimento traz suas dores. E a nossa está nas pessoas.

Como muitos setores, o nosso também carece de mão de obra. Apesar da alta demanda por vagas de trabalho, percebe-se, em todo o país, a redução de profissionais disponíveis para posições como pedreiros, eletricistas, carpinteiros e até engenheiros. Isso, sem contar, na falta de trabalhadores com maior qualificação.

Um levantamento recente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção mostra que, de cada 10 empreiteiras e construtoras, sete têm dificuldades para contratar profissionais. E a tendência para o futuro não tem se mostrado positiva, inclusive fora do país — o Reino Unido, por exemplo, relaxou regras de visto para quem busca esse tipo de vaga.

O risco de apagão existe, mas podemos evitá-lo. É o caso de programas de qualificação profissional, como aqueles já promovidos pelo Senai, Sebrae ou pela própria indústria, que muitas vezes garante emprego logo ao final do curso. É preciso incentivar e ampliar essas oportunidades, em todas as regiões do estado.

Um esforço que deve ser feito em cooperação entre o poder público e a iniciativa privada, aproveitando especialmente as potencialidades e necessidades de cada região. Destaco, por exemplo, o setor hoteleiro, no qual tem despontado o segmento das multipropriedades — modelo pelo qual uma unidade imobiliária tem vários donos, que os utilizam em determinado período do ano. O formato é bastante usado em hotéis e resorts — e Foz do Iguaçu ganha cada vez mais força nesse mercado, com novos e maiores empreendimentos.

A força da construção civil contribui para o bem-estar de milhares de famílias e o desenvolvimento do país. Garantir a perenidade do segmento deve ser palavra de ordem dos governos e sociedade. Mais do que aço e concreto, nosso setor é feito de pessoas — e evitar o apagão de mão de obra será o passaporte para um futuro próspero para todo o nosso estado.

Bruno Vallini é presidente da Ivira Incorporação e Desenvolvimento Imobiliário.

Conteúdo editado por:Jocelaine Santos
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