Embora seja difícil mensurar o quanto e como a arte colabora para a formação das crianças, é possível perceber sua presença em diversos momentos do desenvolvimento infantil. Seja com a música, com o teatro ou com a dança, muitos aspectos se destacam, especialmente com relação à percepção e à sensibilidade de formas, sons, cores e ritmos, e ao estímulo de troca de afetos, ideias e emoções.
Neste sentido, quando a arte faz parte do contexto escolar, seja durante as aulas regulares ou em apresentações e atividades extracurriculares, ela estimula a capacidade de criar, imitar e reinventar, de desenvolver a percepção de si mesmo e do mundo à sua volta, de trazer à tona questões mais subjetivas sobre autoestima, identidade, existência e convivência. Ainda que o tempo da vivência artística seja breve, a criança é sempre convidada a se emocionar, a se expressar e a se comunicar.
Os espetáculos teatrais podem ser um dos caminhos da arte-educação. Normalmente eles são recebidos com muita alegria pelos alunos. É importante destacar que grande parte das instituições tem poucas oportunidades durante seu ano letivo para desfrutar de apresentações artísticas dentro de seu espaço, o que contribui para que estejam de portas abertas para essas intervenções.
Os espetáculos teatrais podem ser um dos caminhos da arte-educação
Tomando o teatro como um acontecimento social que promove encontros entre pessoas, acredito que o maior desafio, dentro ou fora da escola, é também o mais simples e o mais essencial: a comunicação entre artistas e plateia. A arte acontece nesta relação e suas características dependem de diversos fatores. A escola, em geral, não possui um espaço teatral convencional, com palco, cortinas, coxias e maquinário cênico. Por isso, é necessário acertar na escolha do texto e do repertório, na sonoridade, na dramaturgia, na interpretação, no figurino, na cenografia, na luz e na sonorização para estabelecer um diálogo com quem está na escola.
O teatro que acontece dentro da instituição de ensino é diferente do que é realizado nos palcos tradicionais e na rua. Pode-se dizer que o espaço escolar é “alternativo”, com especificidades, limitações e potencialidades próprias. O desafio está tanto em questões técnicas e artísticas quanto em detalhes mais simples como, por exemplo, a troca de olhares e a empatia dos artistas com o público. Tocar uma música ou contar uma história que de fato alcance os espectadores exige que o artista esteja atento e em constante relação com os alunos.
Nesta relação entre artistas e plateia, o espectador, ainda que pareça estar apenas reagindo aos estímulos do espetáculo, ocupa sempre uma posição ativa, capaz de impactar a obra artística. As risadas, os ruídos, a fala e o silêncio das crianças ou das professoras influem diretamente no desenrolar da trama. Embora essas ações aconteçam naturalmente, existe também um convite intencional a determinadas participações. É necessário trazer a criança para o jogo teatral, ora cantando, ora marcando o ritmo com as mãos ou pés e, por vezes, entrando em cena para representar algum personagem.