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A natureza é repetitiva. Eis aí o mistério da continuidade. Assim o concebeu, magistralmente, a Sabedoria Cósmica. Esse imperativo está vigente não só nos acontecimentos cósmicos, como naquilo que se refere a tudo que concerne à vida. Assim o são os dias e as noites, efetivados em um nictêmero que se repete a cada 24 horas; as estações do ano, que se repetem a cada 365 dias; e, no que concerne à vida, a reprodução dos seres, sempre processada de igual modo para a respectiva espécie.

O ser humano não poderia omitir-se disso que podemos chamar de princípio da repetência, conforme está sendo exemplificado. Maria Montessori o demonstrou como sendo um impulso instintivo manifesto desde a primária infância! A criança arma seus brinquedos, desarma-os e os arma de novo. Também, ao escutar uma historia, costuma pedir que a contemos de novo.

Foi também com o apoio da repetência que se organizaram os calendários. Louvado em todas essas razões é que insisto em escrever sobre deveres. Nessas linhas residem dois objetivos: ensinar repetindo, corrigir fazendo justiça. É que relativamente ao binômio direitos e deveres, há uma hipertrofia dos primeiros, em detrimento dos segundos. Dois clamores foram lançados, historicamente sobre direitos (Revolução Francesa em 1789; Declaração Universal dos Direitos Humanos, ONU, 1948). Enquanto isso, não se ouviram gritos incentivadores dos deveres. As enciclopédias que enriqueceram a minha biblioteca dedicam páginas inteiras aos diretos, mas pequeninos espaços quanto aos deveres.

Quem sabe se o mundo não seria esse "melhor" tão desejado se fosse buscada uma paridade entre as duas coisas? Pensando afirmativamente sobre o tema, venho, pela terceira vez, insistir sobre a importância dos deveres, especialmente no que se refere ao relacionamento humano, selecionando, entre o que já escrevi, aquilo que considero muito importante para a boa convivência humana, para o que se chama relacionamento.

1. Devo mostrar gratidão a todos aqueles que me ajudaram a conhecer e praticar os bons princípios comportamentais.

2. Devo entender por deveres tudo aquilo que eu me obrigo a praticar, em consonância com os princípios da natureza, da religião e do humano poder.

3. Devo entender que o cumprimento de meus deveres está favorecendo os direitos do meu semelhante.

4. Devo regozijar-me com as condições afortunadas do meu próximo.

5. Devo convencer-me de que não sou, em nada, superior aos outros seres humanos.

6. Devo reparar-me perante os meus pares quando, voluntariamente ou não, os tiver ofendido.

7. Devo considerar irmãos meus, todos os meus semelhantes, assistindo-os em suas necessidades.

8. Devo comportar-me de modo a nunca manifestar desamor, ressentimentos e condenações ante as atitudes daqueles que me cercam.

9. Devo fugir de qualquer participação em ações e movimentos sociais que corrompam os bons costumes.

10. Devo dar preferência ao conhecimento das virtudes que dos defeitos dos meus semelhantes.

11. Devo considerar a vida – minha e de todos os seres – o mais glorioso bem e jamais atentar contra ela.

12. Devo zelar pela minha saúde, conforme os ensinamentos científicos, pois é estando hígido que melhor cumprirei os meus deveres.

13. Devo reconhecer a vida humana em sociedade uma grande conquista e, por isso mesmo, interessar-me participativamente em seu desenvolvimento e solução de seus problemas.

14. Devo estar certo de que o não cumprimento de meus deveres resultará sempre em algum malefício, para mim e para os outros.

15. Devo reconhecer que a família, sendo o mais extraordinário reduto do relacionamento e do amor; deve ser preservada a todo custo.

Ruy Miranda é professor universitário.

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