A Universidade Estadual de Maringá (UEM) divulgou na manhã desta sexta-feira (18) os resultados da pesquisa com um equipamento que pode ajudar a tornar mais rápidos os diagnósticos de Covid-19 e favorecer os testes em massa da população. A nova ferramenta analisa imagens da língua dos pacientes e consegue identificar a presença do novo coronavírus em aproximadamente 3 segundos. A margem de confiabilidade é de 90%, o que quer dizer que 9 em cada 10 testes têm seu resultado, positivo ou negativo, confirmado pela nova tecnologia.
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A ferramenta utiliza um conceito que não é exatamente novo, a espectrometria de massa. De forma simplificada, é como se o equipamento tirasse uma fotografia extremamente detalhada, a ponto de identificar as moléculas de proteínas presentes na língua. A diferença do SpectroCheck, como é chamada a nova tecnologia, é que os pesquisadores “ensinaram” o equipamento a identificar entre essas proteínas aquelas que fazem parte do novo coronavírus.
“O primeiro passo foi ensinar o programa a identificar a presença do coronavírus entre todas as outras partículas presentes na língua. Isso foi feito analisando pequenas imagens da presença da partícula viral na saliva, e agora o software compara essas imagens que ele captura com os resultados positivos que já foram carregados na base de dados. Dessa forma, conseguimos que ele tenha 83,87% de sensibilidade, que é identificar como positivo um caso em que há a presença do vírus, e 91,07% de especificidade, que é descartar a infecção nos casos negativos”, explicou João Otávio Sedovski Garcia, diretor de desenvolvimento e pesquisa do SpectroCheck.
Nos testes conduzidos em parceria com a UEM foram analisadas as amostras de 970 pacientes, entre 12 e 29 de maio. Durante o processo, uma em cada cinco amostras foi identificada como positiva pelo SpectroCheck. Esses mesmos pacientes positivados foram submetidos posteriormente a testes RT-PCR, considerado padrão-ouro, e tiveram com estes exames a confirmação dos resultados.
O coordenador do projeto, Dennis Armando Bertolini, professor do Departamento de Análises Clínicas e Biomedicina (DAB) e do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde (PCS) da UEM, confirmou à Gazeta do Povo que como a nova tecnologia não é invasiva, assim como os termômetros de infravermelho comumente utilizados na medição de temperatura na entrada de estabelecimentos comerciais, não traz nenhum tipo de risco, dano ou lesão aos pacientes testados.
Ferramenta é útil para testes em massa, em questão de segundos
“Eu não preciso coletar nenhum material biológico, e nem fazer com que a pessoa perca tempo porque o resultado sai em questão de poucos segundos. É possível fazer o uso dessa ferramenta, por exemplo, para a triagem rápida da população na entrada de um terminal de transporte coletivo, por exemplo. Quem der positivo será encaminhado para a confirmação por meio do exame RT-PCR. Se for confirmado esse positivo, o paciente deve ser mantido em isolamento e em tratamento. Caso o segundo teste der negativo, ele pode seguir a vida normalmente”, detalhou.
O próximo passo dos pesquisadores agora é conseguir o registro do SpectroCheck na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O pedido foi formalizado junto à agência no começo de junho, e deve tramitar de forma bastante rápida, na avaliação de João Otávio Sedovski Garcia.
“Há vários modelos de leitores no mercado, eles não fazem parte da nossa pesquisa. E como existem vários fabricantes, nossa ideia foi criar um programa que funcione com vários desses modelos. É como se a pessoa tivesse um celular e pudesse escolher qual sistema operacional irá rodar nesse celular. Assim foi com a nossa pesquisa. Os equipamentos de espectrometria de massa já existem no mercado. Como a nossa solução é oferecer um software, o programa pelo qual esse equipamento será calibrado, acredito que isso será tratado de forma prioritária pela Anvisa”, concluiu o diretor de desenvolvimento e pesquisa do SpectroCheck.
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