A cada 10 peixes cultivados no território nacional, seis são de tilápia, que no último ano totalizou uma produção de 600 mil toneladas. Na última década, o aumento na criação em cativeiro foi de 103%, movimento que coloca o Brasil no ranking dos países produtores da espécie, numa liderança chinesa seguida pela Indonésia eo Egito.
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Por aqui, o consumo interno acelera a produção. Em 10 anos, o crescimento foi de 93%, segundo a Associação Brasileira da Piscicultura (PeixeBR). Mas o que alavanca mesmo a produção é a exportação. Em 2024 houve um crescimento recorde na receita, de 138%, atingindo US$ 59,01 milhões ante os US$ 24,75 milhões de 2023.
Nessa correnteza de bons resultados, o Paraná lidera a produção de tilápia no país, sendo responsável por 27% do total nacional e por 75,7% da atividade em toda a Região Sul. O estado também é destaque na exportação da proteína: no último ano, o volume enviado ao exterior foi 47% maior em relação ao período anterior. O Paraná 7,6 mil toneladas do peixe exportadas em 2024 – o que representa 70,3% da exportação nacional, uma movimentação de US$ 34,6 milhões. Em 2023, o estado havia enviado 5,2 mil toneladas para outros países, com arrecadação de US$ 18,6 milhões.
“É uma cadeia consolidada. Nos últimos anos dobramos a produção. O crescimento vem sendo verificado na casa de dois dígitos. A tilápia representa 90% do que é produzido em carne de peixe no Paraná. A expectativa é de avanço, porque grandes cooperativas e frigoríficos estão envolvidos em muitos projetos e, nos próximos três anos, devemos dobrar novamente a produção. A tilápia é o peixe ideal em termos de custo-benefício”, analisa Edmar Gervásio, integrante do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná.
Nova Aurora impulsiona produção da tilápia paranaense
Os Estados Unidos lideraram a importação das tilápias paranaenses, com compra de 7,4 mil toneladas da proteína em 2024. No ano anterior, o país havia adquirido 4,4 mil toneladas. Os recursos que entraram no estado subiram de US$ 17,6 milhões para US$ 34,3 milhões. É uma receita que está alavancando o trabalho de pequenos produtores, cuja maior concentração está na região oeste do estado.
A liderança é do município de Nova Aurora, de onde saíram 19,5 mil toneladas que renderam R$ 179,5 milhões. Em seguida aparece Palotina, com 15,2 mil toneladas e R$ 139,8 milhões. Em terceiro lugar está o município de Assis Chateaubriand, com produção 14,6 mil toneladas e R$ 134,5 milhões de movimentação.
“É uma atividade nova que faz o aproveitamento racional do que é abundante no Paraná. Temos várias indústrias que se dedicam à produção de ração de peixes. Temos a produção de alevinos que são exportados para outros estados e temos condições de crédito especializado e especial para essa atividade, que estimulamos inclusive para novas instalações”, afirma o secretário da Fazenda do Paraná, Norberto Ortigara.
No estado, a carne de peixe é parte integrante da cesta básica, com isenção de ICMS, conforme define a Lei nº 14.978/2005. Ortigara diz que a medida vai permanecer, mesmo após a reforma tributária. “Vai ter um tratamento diferenciado e, se tiver algum problema no ponto de vista de diferença de tributos, estaremos abertos a estabelecer um padrão competitivo adequado, frente aos demais estados”.
O foco na tilápia por pequenos produtores e produtores familiares, além de gerar empregos, alimenta o consumo local. “Os pequenos produtores trabalham de forma segmentada. Alguns atuam com as matrizes para reprodução, outros com alevinos, na sequência estão os que cultivam os juvenis que são vendidos já com vacina. Há também os que trabalham com a engorda e venda, para frigoríficos e pesque-pague, o que gera renda e postos de trabalho”, enumera Valerio Angelozi, presidente da Peixe Paraná.
Na opinião dele, a proximidade desses produtores com os consumidores colabora com a popularização da proteína. Até o último mês de janeiro, um dos problemas dos produtores eram as condições climáticas, com a falta de chuva. Agora, o desafio é a venda dos peixes adultos.
“Uma tilápia para venda pesa entre 800 e 900 gramas. O estoque está alto e com peixes prontos para o abate. Precisamos vender. Logo vem o período de quaresma, o que pode ajudar para escoar a produção”, vislumbra Angelozi.
Concorrência internacional é ponto de atenção para produtores
Mesmo com altos estoques, os produtores temem uma possível concorrência desleal, com importação de tilápias do Vietnã. O grupo que reúne os sindicatos rurais e a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep-PR) entregaram, no início deste mês, um ofício ao governador Ratinho Junior (PSD) com a reivindicação de que a importação seja barrada no estado.
“A entrada seria bastante prejudicial ao setor no Paraná, que está em plena expansão. Os produtores necessitam de um mercado sólido, seguro e estável, que justifique os investimentos que estão realizando. Por isso, não podemos permitir a importação”, aponta o presidente interino do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.
Além de prejudicar a atividade dos produtores locais, a preocupação está nos riscos sanitários. O Vietnã registra a presença do tilapia lake virus (TiLV), que pode provocar alta mortalidade aos peixes.
“No momento não há um plano de contingência específico para TiLV no país, assim como ocorre com outras doenças. Isso pode resultar em sérios impactos, sociais, econômicos e sanitários”, alerta o presidente interino do Sistema Faep.
O secretário estadual de Fazenda disse que o assunto está no radar do governo. “Estamos tratando dessa possível concorrência desleal, da importação de tilápias do Vietnã, no aspecto técnico e econômico”, respondeu Ortigara.
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