| Foto: Antônio More/Gazeta do Povo

O deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) está de saída de seu atual partido e busca outra casa. Com o desinteresse do PSDC em ter Bolsonaro como candidato, que em nota da Executiva Nacional publicada em 18 de julho negou haver negociação para a migração do deputado para o partido social democrata cristão, crescem as apostas de que Bolsonaro filie-se ao Partido da República (PR).

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O PR afirma que o partido está “de portas abertas” a Bolsonaro e que seria “um privilégio” tê-lo como afiliado, mas nega que esteja em andamento negociação. “A direção nacional do PR distingue o deputado Bolsonaro como um dos grandes nomes nacionais. É um privilégio tê-lo entre os filiados de qualquer legenda. Entretanto, ainda que as portas do PR estejam abertas, não existe nenhuma tratativa em andamento”, afirmou o partido, em nota enviada à Gazeta do Povo.

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Porém, internamente, pessoas ligadas ao PR confirmam que há a aproximação ao deputado para que seja convidado a compor a legenda.

A busca por um partido já vem sendo expressada por Bolsonaro, que está insatisfeito com o PSC e a opção de se filiar ao PR se fortalece, mas ele tem até 2 de abril de 2018 para definir qual será seu partido. Bolsonaro já afirmou que não vê problemas em migrar para a legenda do ex-deputado federal Valdemar Costa Neto, que já presidiu o PR e que cumpriu pena no escândalo do mensalão.

“Vou para onde? Para o PSDB? Para o PT? Olha como eles estão enrolados até o pescoço! O meu próprio partido (PSC) está sendo investigado, veja o caso do Pastor Everaldo. Ou seja, nessa Casa [Congresso Nacional] não tem santo. O meu antigo partido, o PP, está cheio de gente sendo investigada”, afirmou o deputado em entrevista à Gazeta do Povo, concedida ao repórter Evandro Éboli.

O PR não teve candidato próprio na última disputa ao Palácio do Planalto e ter o polêmico deputado em seus quadros daria nova dimensão à legenda, que contaria com um candidato que tem se destacado nas pesquisas, encostando no ex-presidente Lula, conforme mostra recente pesquisa do DataPoder 360.

Não devem faltar convites para Bolsonaro. Porém, o partido que aceitar tê-lo como correligionário deverá estar alinhado aos princípios cristão e conservadores. Em entrevista, Bolsonaro afirmou que está de malas prontas para deixar o PSC. “Estou desconfortável no PSC e a decisão já está tomada. Sairei dele. Tem bastante convite”, disse à Gazeta do Povo.

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O deputado sabe que seu passe está valorizado e isso está sendo colocado nas mesas de negociação com os partidos que podem recebê-lo para obterem votos mínimos.

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Para concorrer por um partido sem a marca de ter participado de um escândalo de corrupção, Bolsonaro tem como opção migrar para um partido recém-criado ou que esteja ainda em fase de registro. Essa possibilidade também está em estudo pelo deputado, que negocia com o Muda Brasil, agremiação que ainda aguarda o registro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para existir. O partido, apesar de novo, também seria ligado a Costa Neto, do PR.

No começo de maio, os representantes do Muda Brasil protocolaram na Justiça Eleitoral o seu pedido de registro, com mais de 501 mil fichas de apoio certificadas pelos cartórios eleitorais, cerca de 15 mil a mais do que o mínimo necessário.

Mas é arriscada a estratégia. Em 2014, a ex-senadora Marina Silva tentou criar o partido Rede a tempo de se candidatar presidente, porém teve problemas com o número de fichas de apoio e acabou firmando uma aliança com o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos para concorrer pelo PSB, como vice. Após a morte de Campos em acidente aéreo, Mariana concorreu à presidência pelo partido.

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Segundo a página do Muda Brasil no Facebook, a legenda tem como plataforma a “luta por um país com menos desigualdade social, com maiores oportunidades a todos os brasileiros”. Não há afirmação clara em seu programa sobre religião ou defesa da vida.

Entre os partidos cristãos, o PSDC se enquadraria no perfil buscado por Bolsonaro, porém já teria candidato a presidente, o gaúcho Eymael, que já disputou quatro eleições presidenciais, em 1998, 2006, 2010 e 2014. Na mais recente disputa, ele obteve apenas 0,06% dos votos (61.233 votos). O partido destaca que na próxima eleição concorrerá com candidato próprio e que já faz parte dos quadros do partido.