Rejeitado pelo deputado Jair Bolsonaro, o Patriota ficou sem opção para candidato a presidente da República na eleição deste ano. Tentou de tudo: o ex-ministro do STF Joaquim Barbosa, a jornalista Valéria Monteiro e até o cirurgião plástico Dr. Rey foram cotados, mas nenhum deu certo. No limiar dos prazos, porém, a legenda foi com o nada convencional Cabo Daciolo, deputado federal eleito pelo PSOL do Rio de Janeiro e que foi a sensação do debate da Band na última quinta-feira (9).
O desempenho de Daciolo na TV surpreendeu e encheu de esperanças a direção do partido e os candidatos a cargos proporcionais, como os que tentam uma vaga na Câmara. O presidente e fundador do Patriota, Adilson Barroso, tem sua análise sobre uma mudança no cenário eleitoral que Daciolo pode provocar. Para Barroso, o seu presidenciável tem potencial e vai disputar votos com Bolsonaro.
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Há nesse entendimento um pote de mágoa com presidenciável do PSL. O "mito" chegou a assinar uma ficha de filiação extraoficial no Patriota, o antigo Partido Ecológico Nacional (PEN). Posaram para foto e tudo. Mas, no momento devido, desfizeram o acordo. Barroso acusou a turma de Bolsonaro de desejar o partido, como se diz, de "porteira fechada". Ou seja, para tomar conta de tudo.
Barroso vê semelhanças de perfil entre Bolsonaro e Daciolo. Por isso, entende, que o militar do Corpo de Bombeiros vai tirar votos do militar do Exército. "Eles são até certo ponto parecidos. Mas o discurso religioso do Daciolo é mais genuíno. Do Deus de Abraão, Isac e Jacó. Ambos são militares, mas Daciolo não é das Forças Armadas. É bombeiro, instituição mais respeitada. Bolsonaro se diz patriota, mas o Daciolo sim está no Patriota. Daciolo é tão deputado federal quanto Bolsonaro, que está aí há 30 anos. O novo mesmo é o Daciolo. Bolsonaro que se cuide", afirmou Barroso à Gazeta do Povo.
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"No início do debate, achei o Daciolo meio apavorado, nervoso. O que é normal para um estreante. Mas depois, conforme fomos conversando com ele nos intervalos, ele melhorou, ficou mais solto. E soube que ele liderou a audiência na internet. Como é que pode um milagre desses? E se no primeiro debate o resultado foi esse, imagina nos outros".
Daciolo quase não foi o candidato
O deputado-cabo era o "plano Z" do Patriota. Decidido a não disputar mais uma vaga na Câmara – vai apoiar um irmão para o cargo –, Daciolo acertou com o Patriota em concorrer à Presidência. Mas foi lhe imposta uma cláusula, documentada em papel e tudo. Para se viabilizar candidato do partido, ele teria que alcançar nas pesquisas 5% de intenção de votos. Seu nome, até hoje, não apareceu nem com traço, ou seja, nem com o mínimo de citação para aparecer na lista. Mas a legenda acabou abrindo mão dessa exigência.
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"Foram muitos os pedidos dos próprios deputados federais, e que tentam a reeleição, para mantermos seu nome. O partido precisava ir (para eleição) com nome próprio. E ele sempre manifestou essa vontade de disputar. Assim, acabei cedendo. De fato tinha essa exigência dos 5%, que abrimos mão. Mas temos certeza que, agora, se colocarem seu nome na pesquisa, e vão ter que fazer isso, ele vai ultrapassar esse patamar em breve", disse.
Presidente do Patriota no Distrito Federal, o advogado Paulo Fernando Melo, candidato a deputado federal, acredita que a campanha de Daciolo dará projeção nacional ao partido e suas ideias.
"O nome de Daciolo traz no cenário nacional a projeção do Patriota e suas bandeiras, como a defesa da vida, da família, contra a legalização das drogas e o apoio à legítima defesa. É uma candidatura assumidamente conservadora e de direita, e que terá o papel também de divulgar a doutrina do partido", disse Melo.
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