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Cármen Lúcia trava decisão sobre mudanças na Ficha Limpa que podem afetar eleições de 2026

Cármen Lúcia trava decisão sobre mudanças na Ficha Limpa que podem afetar eleições de 2026
Cármen Lúcia trava decisão sobre mudanças na Ficha Limpa que podem afetar eleições de 2026. (Foto: Victor Piemonte/STF)

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A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia mantém há cerca de quatro meses sem decisão um processo que pode redefinir as regras de inelegibilidade no país e impactar diretamente as eleições de 2026.

Relatora da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7781, a magistrada é responsável por analisar a validade das mudanças promovidas pelo Congresso na Lei da Ficha Limpa por meio da Lei Complementar 219/2025. A ação foi apresentada pelo partido Rede Sustentabilidade e pede a suspensão imediata de trechos da nova legislação. 

As alterações aprovadas flexibilizam critérios de inelegibilidade, abrindo espaço para que condenados por improbidade administrativa voltem a disputar cargos públicos.  

Entre os casos mais emblemáticos, estão os do ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho (Republicanos), do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (Republicanos) e do ex-governador do DF José Roberto Arruda (PSD).  

A norma poderá produzir efeito cascata para centenas de outros condenados impedidos de se candidatarem pelas regras vigentes até setembro de 2025, quando a nova lei foi sancionada com vetos. 

O processo foi protocolado em novembro de 2025 e, desde janeiro deste ano, aguarda decisão da relatora sobre o pedido cautelar. Até o momento, não houve movimentação no caso.

VEJA TAMBÉM:

PGR vê risco em mudanças 

Em manifestação enviada ao STF, a Procuradoria-Geral da República defendeu a suspensão de parte das alterações promovidas pelo Congresso. 

O procurador-geral Paulo Gonet apontou que alguns dispositivos podem gerar distorções no sistema de inelegibilidade e comprometer a moralidade eleitoral. Entre os pontos questionados está a regra que permite unificar condenações e antecipar o início da contagem do prazo de inelegibilidade, o que, na prática, pode reduzir o tempo de afastamento de candidatos condenados.  

A PGR também alertou para o risco de insegurança jurídica, especialmente em relação à exigência de que decisões judiciais detalhem expressamente elementos como enriquecimento ilícito para caracterizar a inelegibilidade. 

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