O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) retomou nesta segunda (17) os ataques à Operação Lava Jato que o levou à prisão em 2018 por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá.
Na época, Lula era defendido pelo então advogado Cristiano Zanin que, após a volta do petista ao poder em 2023, foi indicado para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).
“Não é demais lembrar que, graças à atuação de uma advocacia combativa, pude ver minha inocência prevalecer frente ao abuso do poder perpetrado por um grupo que quis tomar a Justiça e o direito para si”, disse o presidente durante um evento da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Brasília.
A prisão de Lula em 2018 também ocorreu no âmbito das investigações em cima do sítio de Atibaia, da sede do Instituto Lula e de doações da Odebrecht. Ele passou 580 dias detido na sede da Polícia Federal em Curitiba, que conduzia a operação.
No entanto, em março de 2021, o ministro Edson Fachin anulou as condenações de Lula por considerar a suposta incompetência da 13ª Vara Federal de Curitiba para julgar as quatro ações a que ele respondia. O STF ainda declarou a suspeição do ex-juiz Sergio Moro, atual senador pelo União-PR, por suspeita de conluio com os procuradores da Justiça Federal.
Os ataques de Lula à Lava Jato são constantes em seus discursos, principalmente aqueles realizados em eventos oficiais da Petrobras. Ele acusa a operação de ter sido feita para enfraquecer a estatal para privatizá-la, e que retornou ao poder para fortalecê-la.
“O que estava em jogo naquele momento era a destruição da indústria de engenharia desse país, e a tentativa de destruir a Petrobras criando uma imagem negativa no mundo”, disparou Lula em um evento em fevereiro, afirmando que se criou um “caça-níqueis” contra os trabalhadores.
Ele emendou depois afirmando que “a depender de quem governa esse país, a Petrobras não é levada a sério e vai tentar ser privatizada quantas vezes o povo brasileiro votar errado”.
Ainda durante o discurso na cerimônia solene de posse dos eleitos para o Conselho Federal da OAB, Lula defendeu a regulação das redes sociais e afirmou que as plataformas agem com um “colonialismo digital”.
“Quero destacar a desinformação e a instrumentalização do ódio nas redes sociais, diante de uma falta de regulamentação adequada, tendo observado uma tendência de concentração de poder sem precedentes nas oligarquias digitais. Um poder absolutista que desconhece fronteiras”, pontuou.
Pouco depois, o presidente da OAB, Beto Simonetti, afirmou que a entidade “deve se manter apartidária” e que “não apoia e nem se opõe a partidos e governantes”. “Nosso compromisso é com a Constituição”, completou.
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