
A esquerda mais radical nunca teve muito senso de humor. Afinal, são revolucionários engajados na construção de um “mundo melhor” e do “novo homem”, e não têm tempo nem paciência para esses instrumentos de alienação como programas de comédia ou piadas. A não ser…
A não ser que o “humor” seja, ele próprio, engajado politicamente, repleto de ideologia. Quando aparecem comediantes mais “conscientes”, desejando fazer política antes de fazer graça, aí a esquerda aprova. Mas ai de quem ousar fazer uma piada tendo como alvo político a própria esquerda!
Francisco Bosco, ícone dessa esquerda, chegou a escrever uma coluna no GLOBO justificando que era aceitável meter o pau em cristãos usando humor, pois são maioria (e não precisa ser numérica), mas não deveria ser aceito fazer piadas usando “minorias”. Eu comentei a barbaridade (e falta de senso de humor) aqui.
Marcando a categoria de humor, escrevi a sugestão de um esquete para o Porta dos Fundos. Claro, ironizando a própria esquerda caviar, brincando com o fato de que essa turma adora viver no conforto do Leblon, juntar mais e mais dinheiro de forma bem gananciosa, tudo isso sempre criticando o capitalismo e enaltecendo o socialismo.
Surpresa (nem tanto, nem tanto): nunca tive que apagar tanta ofensa na seção de comentários! Gregório Duvivier divulgou o texto em seu canal (como podem ver abaixo), mas seus fãs – e são fãs bem irracionais que não podem ver o ídolo como alvo das piadas que faz com outros – invadiram o blog em grupo para me xingar. “Otário”, “babaca”, “medíocre”, “bosta”, “merda”, sou tudo isso e muito mais, pois ousei ridicularizar de forma sarcástica um típico casal (imaginário) da esquerda caviar. Vejam:
Greg (posso lhe chamar assim?), sinto muito, mas não estou apaixonado por você. Talvez seu colega Fábio esteja, vai saber. Mas eu posso garantir que não estou. Agora, aplicando sua lógica, imagino que você deva estar gamado no Feliciano (e, como não sou preconceituoso, acho até que forma um belo casal). Agradeço, ainda, o elogio quanto à fofura. A gente faz o que pode…
Já quanto ao “reaça”, sinto muito novamente, mas esse é o adjetivo que todo socialista usa para atacar quem não é socialista. Outro dia você citou Mises afirmando que não concordava com ele. Mas pergunto: leu alguma coisa de Mises? Se você ainda insistir que era um “reaça”, aí é caso de hospício.
Mas divago. Ficou escolar? Achou ruim? Pois é, essa não é minha especialidade. Sou economista, daqueles que leram Mises. Faz o seguinte: pode usar a ideia apenas, e aí você, com sua genialidade, transforma o esquete em algo bem mais hilário. O que acha? Tenho certeza de que um fã de Monty Python e South Park não irá me decepcionar.
Aliás, aproveito para elogiar seus esquetes, em nada escolares. No fundo, acho que você já superou seus ídolos. O que é um Monty Python perto de um Porta dos Fundos? O humor fino britânico não chega aos seus pés. P.G. Wodehouse (conhece?), por exemplo, seria um mero aprendiz seu.
Divago novamente. Meu ponto é outro: é mostrar como seus seguidores precisam de mais… humor! Isso mesmo. Sei que adoram seu grupo de comédia, mas quando a piada são vocês mesmos, veja só a reação. É lamentável. Só xingamentos, ofensas raivosas, babas escorrendo pelo canto da boca por causa desses “reaças”. Pode isso?
Saber rir de si próprio é importante, não acha? Porque rir sempre dos outros é muito mais fácil, mas não prova seu senso de humor verdadeiro. Este demanda que você saiba se colocar no papel de tema da piada. As melhores piadas de português que já escutei vieram de portugueses. O mesmo para judeus. Gente que tinha senso de humor, como o general Castello Branco, que ria se sua baixa estatura. Já Lula, nunca acha graça quando é satirizado…
Note que vários leitores meus curtiram o esquete e riram um bocado. Será que a piada foi tão escolar, tão ruim assim mesmo, ou será que é a esquerda caviar que não consegue achar graça quando é o alvo? Pimenta no dos outros é refresco, não é mesmo?
Talvez seja esse o problema de colocar política e ideologia à frente do humor. Perde flexibilidade, fica chato, ideologizado demais. Claro que todo humor será, eventualmente, político. Mas encará-lo como instrumento direto de política é diferente, é fazer politicagem, não humor. Entendo a pressão dos financiadores, da Caixa e tudo mais, mas deveria pegar mais leve. Minha opinião.
Por fim, aproveito para lhe informar que, uma vez mais, vocês produziram um esquete contra a própria esquerda caviar sem se dar conta. Talvez não saiba, mas “safari” em favelas para conhecer pobres, como se bichos de zoológico fossem, é a cara da esquerda caviar, que depois retorna para seu luxo capitalista se sentindo a alma mais abnegada do mundo. Ainda bem que muitos de seus fãs não parecem ter capacidade de compreender isso.
Até a próxima, Greg!
Rodrigo Constantino




