O modelo escandinavo, portanto, não refuta as leis econômicas. Ao contrário: as confirma! A Suécia experimentou uma drástica perda após o planejamento central e a pesada carga tributária, e teve que realizar várias reformas liberais para recuperar parte do que perdera. A Dinamarca seguiu o mesmo caminho. A Noruega vem atrás, em passo mais lento, pois conta com a riqueza do petróleo ainda.
Segundo o Índice de Liberdade Econômica, esses países seriam considerados liberais hoje, não socialistas. Apesar da carga tributária elevada, mas cada vez mais convergente com a europeia, seus mercados são abertos e as leis trabalhistas são mais flexíveis. Medidas que restringem as benesses para desocupados foram adotadas.
Ainda assim, há um patamar nada desprezível de desemprego, especialmente entre os jovens, muitas vezes disfarçado pelas licenças permanentes ou temporárias de saúde. Pode colocar isso na fatura do “welfare state”, assim como a dificuldade em absorver os imigrantes, o que tem gerado sérios problemas sociais e recrudescimento da xenofobia, como se pode ver pelo avanço dos partidos nacionalistas.
Paul Krugman acredita que basta um passeio por Estocolmo para derrubar a ideia de que o “welfare state” fracassou. É o contrário: basta conhecer o passado e o presente desses países nórdicos para constatar como esse modelo custou caro, gerou ineficiências e atrasou o progresso deles. O quão mais ricos os suecos, dinamarqueses, finlandeses e noruegueses poderiam estar se tivessem continuado com um modelo mais liberal não podemos dizer. É “aquilo que não se vê”, o custo oculto desse modelo. Mas é possível especular que, aí sim, seriam a inveja do mundo todo e com motivos concretos para tanto.
Como Tom Palmer escreve no prefácio, ninguém que ler essa obra vai ser capaz de repetir, ao menos não sem um peso na consciência, os slogans comuns sobre o socialismo nórdico, as políticas de “terceira via” ou como os altos impostos e as rendas garantidas pelo estado fomentam o crescimento econômico e alimentam uma responsabilidade moral e um espírito comunitário. É justamente o contrário.
Rodrigo Constantino