
Com a maior bancada de direita dos últimos anos, os vereadores conservadores de São Paulo pretendem iniciar este novo mandato de quatro anos na pressão ao prefeito Ricardo Nunes (MDB) para aprovar projetos considerados prioritários às suas bandeiras. O ano legislativo municipal inicia na próxima terça-feira (4), mas a movimentação preparatória dos vereadores está na energia máxima.
Entre as propostas protocoladas neste início de ano da Casa estão o fim dos "pancadões"; a criminalização em caso de invasões de imóveis; a proibição de banheiros unissex e tornar o ex-prefeito e ministro da Fazenda, Fernando Haddad, “persona non grata” na capital, demandas combinadas a pautas “anti-woke”. No espectro da direita, a Câmara de Vereadores de São Paulo tem os seguintes representantes:
- Lucas Pavanato (PL) – eleito com 161.386 votos: o mais votado do país nas eleições municipais de 2024
- Sargento Nantes (PP) – 112.484 votos em 2024
- Rubinho Nunes (União Brasil) – 101.549 votos
- Zoe Martinez (PL) – 60.272 votos
- Cris Monteiro (Novo) – 56.904 votos
- Janaina Paschoal (PP) – 48.893 votos
- Major Palumbo (PP) – 43.455 votos
- Amanda Vettorazzo (União Brasil) – 40.144 votos
- Kenji Palumbo (Podemos) – 32.495 votos
- Adrilles Jorge (União Brasil) – 25.038 votos
Com 10 cadeiras entre as 54 da Câmara, a bancada de direita tem representação recorde e supera a do Partido dos Trabalhadores (PT), que conta com oito vereadores. Além disso, elegeu o vereador mais votado do Brasil, Lucas Pavanato.
A primeira sessão extraordinária do ano na Câmara Municipal de São Paulo ocorre a partir das 15 da próxima terça-feira. Todas as sessões são transmitidas ao vivo pelo canal da Rede Câmara no YouTube.
Vereadores de direita dizem ser independentes na Câmara de São Paulo
Apesar de pertencerem a partidos da base aliada de Nunes, vereadores do âmbito da direita dizem que terão independência nas votações da Câmara de São Paulo. Adrilles Jorge (União Brasil), ex-comentarista da Jovem Pan e da Gazeta do Povo, afirmou que não seguirá a gestão municipal.
“Serei independente dos projetos do Nunes. Critico quando vejo algo errado, pois esse é o papel fiscalizador do vereador, e ajudo no que for necessário”, disse. Adrilles Jorge destaca a pauta “anti-woke” como prioridade e afirma que pretende atuar mais fortemente nas áreas da educação e da cultura.
“Minha pauta é educação e cultura. A liberdade se constrói por meio da educação e da cultura, especialmente em um momento de tirania do Judiciário”, afirmou. O vereador defende a implementação de escolas cívico-militares e a criação de uma disciplina escolar chamada “Valores”.
No espectro da área de cultura, o parlamentar quer dialogar com o secretário da pasta para evitar o que chama de “domínio do identitarismo” e pautas que, segundo ele, geram conflitos entre diferentes grupos sociais. Ele também pretende apresentar projeto para exonerar do serviço público quem incitar atos terroristas ou apoie organizações extremistas.
A vereadora Amanda Vettorazzo (União Brasil), integrante do Movimento Brasil Livre (MBL), apresentou um projeto de lei apelidado de “anti-Oruam”, em referência ao cantor de funk Oruam, conhecido por músicas com apologia ao crime e ao uso de drogas. Oruam é filho de Marcinho VP, apontado como um dos principais líderes da facção criminosa Comando Vermelho (CV).
“O projeto de lei tem como objetivo impedir que o dinheiro publico seja gasto em shows que fazem apologia ao uso de drogas ou ao crime organizado. Não podemos permitir que o crime continue sendo normalizado em letras de músicas e divulgados em shows para nossas crianças e adolescentes”, disse Vettorazzo em entrevista à Gazeta do Povo.
Após protocolar o projeto e citar o funkeiro, a vereadora disse que passou a receber ameaças nas redes sociais. “Registrei um boletim de ocorrência contra Oruam e seguirei honrando os votos que recebi”, afirmou.
No primeiro dia de mandato, ao lado de seu padrinho político, o deputado federal Kim Kataguiri (União Brasil), Vettorazzo protocolou um pedido de abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar invasões de propriedade em São Paulo pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). Para que a CPI seja instaurada, são necessárias 19 assinaturas dos 54 vereadores da capital.
Pavanato protocola PL contra ideologia de gênero na Câmara de São Paulo
Apoiado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), o vereador mais votado de São Paulo, Lucas Pavanato (PL), iniciou o mandato apresentando sete projetos de lei na Câmara Municipal, dando o tom do que esperar da sua representatividade na Casa. Entre as propostas de Pavanato estão:
- “Criança trans não existe”: proíbe hospitais e clínicas de financiarem ou realizarem tratamentos hormonais e cirurgias de mudança sexual em menores de 18 anos.
- Regulamentação de banheiros e vestiários: determina que o sexo biológico seja o único critério para acesso a banheiros e vestiários em escolas, espaços públicos, comércios e ambientes de trabalho.
- Participação em competições esportivas: impede pessoas trans de competirem em categorias que não correspondam ao sexo biológico.
Em entrevista à Gazeta do Povo, Pavanato justificou as propostas alegando preocupação com a saúde infantil. “Sou o vereador com mais projetos protocolados. Um deles proíbe procedimentos hormonais em crianças, pois bloqueadores hormonais podem causar danos à saúde. Esse projeto visa garantir a integridade das crianças”, afirmou.
Outro projeto apresentado pelo vereador regulamenta o serviço de transporte de passageiros por moto via aplicativo na cidade, medida que o colocou em embate direto com o prefeito Ricardo Nunes, contrário à proposta. “Nosso objetivo é garantir a segurança do motorista, do passageiro e do trânsito, permitindo a atuação regular do serviço”, afirmou Pavanato.
Rubino Nunes propõe tornar Fernando Haddad “persona non grata”
O vereador Rubinho Nunes (União Brasil) protocolou no início deste que é o segundo mandato na Câmara um projeto de decreto legislativo para declarar o ministro da Fazenda e ex-prefeito da capital Fernando Haddad (PT) como “persona non grata” no município. Nunes justifica a proposta ao atribuir a Haddad o título de "pior prefeito da cidade".
O petista esteve à frente da gestão municipal de São Paulo de 2013 a 2016 e, segundo o vereador, teve uma gestão marcada por fracassos. “Haddad foi o pior prefeito da história de São Paulo, enxotado nas urnas no primeiro turno. Hoje dobrou a meta e é o pior ministro da Fazenda da história, responsável por aumento de impostos e pela tragédia econômica do país. Nada mais justo que honrá-lo com o título à altura de sua incompetência: 'persona non grata'”, afirmou Nunes em entrevista à Gazeta do Povo.
No texto do projeto (PDL 3/2025), o parlamentar paulistano critica a implantação das ciclofaixas durante a gestão de Haddad. “Haddad também fez história ao pintar centenas de quilômetros de faixas vermelhas pelas ruas de São Paulo e insistir em chamá-las de ciclovias, o que lhe rendeu o apelido de ‘prefeito Suvinil’. Sem estudos técnicos e instaladas a fórceps em tumultuadas avenidas, Haddad colocou em risco a vida dos paulistanos”, argumenta.
Rubinho Nunes - que também se coloca como um vereador independente - iniciou o período eleitoral de 2024 apoiando a reeleição de Nunes, mas migrou para o então candidato Pablo Marçal (PRTB) no pleito municipal que foi o mais disputado da capital paulista desde a redemocratização, tendo adotado o slogan “o vereador do Marçal”.
A aposta deu certo e Rubinho Nunes triplicou o número de votos obtidos na eleição anterior, tendo angariado mais de 100 mil votos, o que lhe rendeu a posição de 6° vereador mais votado em São Paulo.
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