Cuidados
Em casos mais graves e raros, a plagiocefalia pode causar o desalinhamento da arcada dentária e prejuízos no campo visual. Veja como evitar o problema:
Alternar a forma de deitar o bebê: ainda que crianças precisem dormir de barriga para cima para evitar complicações, é preciso mudar a posição da cabeça. Alterne ora para um lado, ora para outro, e também deixe o bebê olhando para cima.
Estímulos: acumular brinquedos apenas em um lado do berço faz com que a criança fique atenta a somente uma direção e, assim, apoiada em um único lado da cabeça. O correto é distribuir os estímulos por todos os lados e inverter o lado que a criança costuma dormir.
Barriga para baixo: quando a criança estiver acordada, é importante colocá-la de bruços para evitar o achatamento do crânio. Isso também estimula o desenvolvimento e o fortalecimento dos músculos da região posterior da cabeça.
Bebê conforto: usado para o transporte de crianças pequenas, acaba sendo utilizado de forma exagerada. Muitos pais deixam a criança na cadeirinha por mais tempo do que o adequado. Isso facilita o achatamento do crânio, já que não permite que a criança movimente muito a cabeça.
Sling e canguru: opções para substituir o uso exagerado do bebê conforto, são os slings (lenços usados para carregar bebês) e cangurus. Isso permite que a criança fique sem apoiar a cabeça e também fortalece os músculos do pescoço.
Fonte: Gerd Schreen, médico especialista em plagiocefalia posicional.
350 mil bebês
sofrem hoje no Brasil com o problema, segundo o médico e especialista em plagiocefalia posicional Gerd Schreen.
Breno tinha dois meses quando seus pais notaram que a cabeça dele estava achatada. A parte posterior direita do crânio em nada se harmonizava com a esquerda, motivo que levou a mãe, Flávia Sguarezi, a procurar o pediatra. Sem um diagnóstico preciso, o médico tranquilizou-a, dizendo que era normal e que iria melhorar com o passar do tempo. Mas o problema de Breno tinha nome e precisava ser tratado o quanto antes: ele estava com plagiocefalia posicional, imperfeição craniana causada pelo apoio excessivo de uma determinada região da cabeça dos bebês que leva à deformação do local.
Segundo o médico e especialista em plagiocefalia posicional Gerd Schreen, a doença tende a se desenvolver já nos primeiros meses de vida da criança, período em que a cabeça ainda é mole e cresce rapidamente, o que favorece a deformidade. Por isso, a principal forma de evitar o desenvolvimento do problema é reposicionar o bebê com frequência. "Como ele deve dormir de barriga para cima [recomendação da Sociedade Brasileira de Pediatria], é preciso alternar a posição da cabeça para um lado, depois para outro e para cima", explica Schreen.
Ainda que a plagiocefalia possa ser desenvolvida também na vida intrauterina quando o espaço dentro barriga da mãe diminui , as causas mais comuns são no pós-nascimento, e, às vezes, o reposicionamento pode não ser o suficiente para evitar a deformação. Foi o que aconteceu com Breno. Segundo a mãe, mudá-lo de lugar várias vezes ao dia apresentou resultados mínimos, porque ele não permanecia mais na posição escolhida pelos pais.
Para Schreen, em situações em que a técnica não funciona, o correto é buscar o tratamento clínico, feito por meio de uma órtese craniana desenvolvida sob medida para a criança. Por quatro meses, o bebê utiliza o "capacete" 23 horas por dia, e, aos poucos, o crânio volta a ter simetria normal. "O processo é bastante tranquilo. Embora os pais achem que pode machucar, as crianças se adaptam muito bem."
Doença precisa ser detectada no início
O uso da órtese craniana só é eficaz quando a plagiocefalia for detectada no início, daí a importância de que os pais fiquem atentos ao formato da cabeça dos filhos. Conforme o especialista Gerd Schreen, aos dois anos, a criança atinge 90% do tamanho do crânio adulto, então é preciso aproveitar a fase de crescimento rápido da cabeça, que acontece entre três meses a um ano e meio, para executar o tratamento com a órtese.
Breno Sguarezi é uma prova de que o tratamento clínico em casos de plagiocefalia posicional funciona. De acordo com a mãe, Flávia Sguarezi, mesmo com a preocupação de que o menino não se adaptasse à órtese, os resultados foram satisfatórios. "No começo eu fiquei receosa, com medo que desse errado, de que o Breno não se adaptasse. Mas tudo correu muito bem e os resultados foram ótimos. Agora, depois de dois meses com o capacete, a cabeça dele já está normal e o tratamento já está acabando. Valeu muito a pena."
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