A fisioterapeuta Karina Carrer foi a primeira pessoa a denunciar os óbitos que ocorreram na UTI geral do Hospital Evangélico de Curitiba e que acabaram sendo investigados pela polícia. Formada há 11 anos, a fisioterapeuta já havia trabalhado em outros hospitais e UTIs e afirma que nunca havia visto nada parecido com os procedimentos adotados no setor comandado pela médica Virgínia Helena Soares de Souza. Ela diz que chamava a atenção o grande número de óbitos ocorridos nos primeiros dias de internação, o que, segundo ela, não era comum em outros hospitais onde trabalhou. Em entrevista à Gazeta do Povo, ela nega que a denúncia seria uma vingança por desavenças pessoais entre os funcionários da UTI.
Como você decidiu denunciar o que ocorria dentro da UTI?
Fiz a primeira denúncia na ouvidoria do estado em março do ano passado e continuei trabalhando no hospital. Eu achava que a qualquer momento a polícia ia chegar e eu poderia ajudar. Continuei na UTI por causa disso. Em maio, pedi para mudar de setor. Ainda continuei na instituição por alguns meses e, quando decidi sair, pedi demissão. O que você notou de estranho que não havia em outros lugares?
Os óbitos. Sempre trabalhei em UTI e nunca tinha visto alguma coisa desse tipo em toda a minha vida. Eu acredito que alguns pacientes teriam chance de recuperação. O prognóstico era fechado muito rapidamente. Às vezes o óbito vinha com dois dias de internação, o que é pouquíssimo tempo. Você contou a alguém que fez a denúncia?
Não avisei ninguém por medo de represálias. Todas as pessoas que trabalhavam lá eram meio revoltadas com o que acontecia, mas todos tinham muito medo dela [da médica Virgínia], porque ela era muito explosiva. Isso inibia as denúncias. Todo mundo sentia que ela era muito poderosa. E como você está agora?
Estou acompanhando o caso, mas estou apreensiva. Esperava que a investigação acontecesse, mas não que ela fosse presa, e nem as outras pessoas. Só queria que não acontecesse mais nada do que aconteceu. Tudo aquilo que aconteceu foi de uma maneira gratuita. Os pacientes e os familiares não têm culpa. A acusação da defesa da médica é de que todo o processo começou por uma briga pessoal dos funcionários. Qual sua opinião a respeito?
Havia atraso de pagamentos e insatisfação dos funcionários, mas nós, que trabalhávamos na UTI, não entrávamos em greve, até porque é um lugar que não dá pra abandonar. Mas não era rixa pessoal com a médica. Não quero me vingar dela, nunca quis.