
Londrina - O reitor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Wilmar Marçal, suspendeu ontem a colação de grau de 14 formandos do curso de Medicina, envolvidos em uma baderna nos corredores do pronto-socorro do Hospital Universitário (HU), no dia 20 de novembro. A colação é na sexta-feira e outros 82 estudantes se formarão normalmente.
Em reunião na manhã de ontem, Marçal comunicou a decisão ao Conselho Universitário, que aprovou moção de repúdio à conduta do grupo e abriu um processo administrativo disciplinar para averiguar os fatos. A decisão de abrir o processo com os estudantes suspensos tem como objetivo preservar o vínculo deles com a instituição.
"De modo concreto, a universidade tem 14 nomes, porém mais pessoas participaram da algazarra, com spray de espuma, garrafas de champanhe e rojão. Alguns comemoraram que não teriam mais que tratar de certos pacientes. Faltou maturidade e um pouco de juízo aos formandos", afirmou Marçal. O prazo para conclusão do processo é de 90 dias, prorrogáveis por mais 90. Uma palestra com o tema "ética profissional" foi incluída na programa da formatura de Medicina será no próximo dia 19.
O processo administrativo pode resultar em penalidades que variam de advertência a expulsão. "Aprovar esses estudantes sem avaliar o que aconteceu seria como substituir o juramento de Hipócrates por uma declaração de hipocrisia. Há o risco de eles ficarem sem diploma", declarou o reitor, que classificou o episódio como "irreverência fútil".
São 13 rapazes e uma moça que tiveram a colação de grau suspensa, mas, no total, cerca de 40 estudantes estão envolvidos. A identificação foi feita durante uma auditoria, por meio de imagens das câmeras do circuito interno e relatos de 20 pessoas, entre pacientes, médicos e servidores do HU. Segundo o reitor, uma garrafa de champanhe foi quebrada no interior do HU, um rojão foi estourado no pátio do hospital, e houve gritos e desrespeito a pacientes. Os estudantes entraram no pronto-socorro depois de terem permanecido cerca de duas horas em um bar que existe em frente ao HU.
A coordenadora do colegiado do curso de Medicina, Evelin Muraguchi, ressaltou que não há definição quanto a ter havido agressão a pacientes ou embriaguez dos estudantes. "Houve manifestações exacerbadas, gritos, e isso não diminui a falta ética. O processo administrativo vai avaliar a conduta e a culpa", afirmou. A coordenadora informou que é tradicional, entre os formandos, comemorar o fim do internato médico. "Mas estourar fogos é bastante inadequado", opinou.
A reportagem procurou a direção do HU. A assessoria de imprensa informou que o diretor Francisco Eugênio Alves de Souza está em viagem e que o diretor-clínico, Marcos César de Camargo, não iria comentar a decisão da Reitoria.



