O segundo dia do julgamento de Lindemberg Alves, acusado de matar a ex-namorada Eloá Pimentel, em outubro de 2008, foi marcado por momentos de muito bate-boca no plenário do Fórum de Santo André, no ABC paulista. Em uma discussão sobre as atas do processo, ao longo de um dos vários depoimentos de testemunhas, a advogada do réu, Ana Lúcia Assad, questionou a juíza sobre uma aplicação do princípio da "verdade real", que é um princípio do Direito que permite passar por cima de certas formalidades jurídicas, para a reconstrução completa dos fatos. A magistrada afirmou que desconhecia a aplicação e a defensora rebateu dizendo "então a senhora deveria voltar a estudar." A promotora Daniela Hashimoto afirmou que a advogada poderia responder por desacato à autoridade pela declaração. Nesse momento, houve exaltação por parte dos presentes no plenário.

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Testemunhas

A perita Dairse Pereira Lopes, que analisou as armas usadas no crime, ratificou que os projéteis ex­­traídos de Eloá saíram de uma arma calibre 32, a mesma usada por Lindemberg ao longo do cárcere privado de mais de 100 horas.

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Além de Dairse, testemunharam ontem os dois irmãos de Eloá; dois jornalistas que participaram da cobertura do caso; um perito do Instituto de Crimina­lística; o delegado que conduziu as investigações do caso e o policial militar do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) responsável pelas negociações com Lindemberg, capitão Adriano Giovanini. A mãe de Eloá, Ana Cristina Pimentel, que gostaria de testemunhar sobre o caso, não pode falar, apesar de a juíza ter aceitado o pedido, pois a advogada de Lindemberg ameaçou abandonar o caso, o que anularia o julgamento. A desistência ge­­rou um bate-boca entre os advogados de defesa e acusação.

O depoimento do capitão Giovanini causou um choque de versões. Ontem, mais de três anos após a morte de Eloá, ele continua a afirmar que um disparo no apartamento motivou a invasão do local pela Polícia Militar. Já a estudante Nayara, que acabou baleada, foi categórica ao dizer que ouviu três disparos só depois da explosão de uma bomba colocada na porta pela polícia.