Hoje estamos pegando o bonde da história, fazendo uma viagem entre os trilhos que cortaram Curitiba, do seu centro em direção ao norte, ao sul e a leste. No momento convém lembrar que os bondes elétricos substituíram os tracionados por mulas em janeiro de 1913; completando, portanto, no mês de janeiro passado, o centenário da inauguração daquele melhoramento no transporte coletivo da capital.
Os amarelos, como eram chamados popularmente, transitaram pela cidade até 1952, quando o serviço foi desativado. Trinta e nove anos transportando passageiros aos bairros do Bacacheri, Pilarzinho, Portão, Guabirotuba e Seminário, com paradas intermediárias no Juvevê, Água Verde, Asilo e Batel. Os bondes não serviam ao Alto da Rua XV e a Mercês, serviço prestado por ônibus.
Com o crescimento da cidade, os bondes, que transitavam pelo meio das vias, começaram a atravancar o movimento dos demais veículos. Com a retirada dos mesmos da circulação, ônibus e lotações começaram a servir os bairros, tendo as caminhonetes que convinham como lotações a fazer seus próprios trajetos, servindo espaços cujos pontos ficavam onde antes não existia transporte coletivo.
Houve um tempo em que o curitibano que desejasse se transportar do centro até o bairro do Portão o fazia de trem, apanhando o mesmo na estação da Rua Sete de Setembro e desembarcando na estação daquele bairro. O trem ainda serviu no transporte suburbano, entre Curitiba, Pinhais e Piraquara, até a estação da Sete de Setembro ser desativada. Curiosamente, tais comboios já serviam o trajeto que se pretende atualmente fazer com o metrô entre a região do Portão até a antiga estação de bondes da Rua Barão do Rio Branco.
Atualmente é discutida a instalação do transporte subterrâneo seguindo o trajeto sob o trajeto das canaletas usadas pelos ônibus expressos. Entretanto, a instalação desses trens subterrâneos tem gerado muitas controvérsias, isso em razão da topografia da cidade que, além dos rios que possui em seus fundos de vales, tem ainda elevações que tornam impraticáveis a remoção da terra onde se instalarem os túneis. Segundo alguns entendidos, seria bem mais fácil e barato que o transporte, em vez de subterrâneo, fosse elevado.
Voltando ao bonde da história, muito mal preservada pelo poder público, vamos lembrar que alguém da nossa Disneylândia do Juvevê esteve propondo a instalação de um bonde elétrico, igual aos que circularam pela cidade no passado, para fazer o trajeto entre o Passeio Público, pelas ruas Riachuelo e Barão do Rio Branco, até a antiga estação de bondes, em frente da Câmara Municipal. É ter muita imaginação! Como é simples rabiscar ideias sobre uma prancheta.
O último bonde que ainda restava em Curitiba, após ser doado pela firma onde estava estacionado, somente a carcaça, fez um circuito entre restauradores, quando, finalmente e totalmente descaracterizado, foi colocado em exposição na Praça Tiradentes. Lá ficou por pouco tempo, tendo sido recolhido para algum pátio onde terminará deteriorado definitivamente. A nossa amnésia da cultura oficial pouca, ou nenhuma, importância dá para fatos da história da cidade, como foi o caso do centenário da instalação dos bondes elétricos em Curitiba, ocorrida no dia 7 de janeiro próximo passado.
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