Dilma está disposta a ir ao Congresso explicar apagão
A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, afirmou ontem que está disposta, "se for do interesse do governo e do Parlamento", a comparecer ao Congresso para prestar os esclarecimentos sobre o blecaute ocorrido há quase duas semanas em 18 estados. A oposição na Câmara e no Senado quer o comparecimento da ministra sob o argumento de que Dilma Rousseff é a responsável pelo atual marco regulatório do setor elétrico.
Acompanhada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ministra esteve, pela manhã, na sede do Diretório Nacional do PT, em Brasília, para votar na eleição do novo comando do partido. Perguntada sobre o assunto pelos jornalistas, ela não poupou o PSDB e o Democratas (DEM). Dilma Rousseff acusou a oposição de ter "memória curta" e qualificou de exagero querer comparar um blecaute de cinco horas com o racionamento de energia no governo Fernando Henrique Cardoso de "cinco anos e 11 meses".
Belo Monte
Dilma disse ainda que o governo não considera prejudicial à ampliação da capacidade de geração de energia o fato de a licitação para a construção da hidrelétrica de Belo Monte ter ficado para o próximo ano, e não para o mês que vem, como se previa. O Ibama ainda não concedeu a licença prévia para a obra.
O sistema elétrico nacional está cada vez mais caro. Só o custo da rede de transmissão, responsável pela interligação de energia entre as cinco regiões brasileiras, teve um salto de 500% nos últimos dez anos, de R$ 1,7 bilhão para R$ 10,5 bilhões, segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Esse foi o preço para expandir em 26 mil quilômetros a malha nacional, que até 1999 contava com 67.048 km de extensão.O alongamento da rede ganhou impulso após o racionamento de 2001. Na época o sistema de transmissão foi considerado o grande vilão do contingenciamento pelo qual o país teve de passar, já que as linhas não tinham capacidade para trazer energia do Sul onde sobrava eletricidade para o Sudeste, onde o consumo estava elevado. Hoje, o sistema está mais robusto, com maior capacidade de interligação entre as regiões Norte e Nordeste e Sul e Sudeste/Centro-Oeste. Para os próximos anos, a expectativa é que essa expansão continue forte, já que a maior aposta do governo está nas hidrelétricas distantes dos grandes centros urbanos. O complexo do Rio Madeira, em Rondônia, por exemplo, está a 2,5 mil quilômetros do Sudeste.Para especialistas, a localização dessas grandes hidrelétricas em regiões mais afastadas, por si só, representa um risco maior para a transmissão. "A expansão indefinida da rede traz riscos decorrentes de seu próprio tamanho. Reduzir esses riscos é o maior desafio do planejador a partir de agora", frisa o presidente do Instituto Acende Brasil, Claudio Salles.
A expectativa é que entre 2009 e 2011 entrem em operação outros 16 mil quilômetros de linhas de transmissão. Isso sem incluir o linhão que vai escoar a energia das hidrelétricas do Rio Madeira, prevista para começar a operar em meados de 2011. Só essa obra prevê duas linhas de 2.375 quilômetros de extensão cada, entre Rondônia e São Paulo, sendo que a metade ficará na Floresta Amazônica. A Hidrelétrica de Belo Monte, que será concluída um pouco mais tarde, por volta de 2015, também exigirá um reforço expressivo nas linhas já existentes de Tucuruí.
Tarifa
Quem vai pagar a conta por toda expansão, no entanto, é o consumidor. O transporte de energia é um dos itens que compõem a tarifa paga por todos os brasileiros, explica o engenheiro Carlos Augusto Kirchner, diretor do Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo. A participação da transmissão no preço da eletricidade subiu de forma expressiva nos últimos anos saiu de 3,48%, em 1998, para 6,5%,em 2008.
Na transmissão, as empresas que ganham o leilão recebem uma receita fixa durante o contrato de concessão, de 30 anos, para construir e operar a linha.
Para o professor da Coppe/UFRJ Luiz Pinguelli Rosa, a remuneração paga às empresas de transmissão e repassada para as tarifas é bastante elevada para os padrões nacionais. Além disso, acrescenta o especialista, o sistema brasileiro virou uma colcha de retalhos, onde várias empresas operam um pedaço de transmissão, com culturas totalmente diferentes uma da outra. "Adotamos um modelo neoliberal. O governo Lula fez apenas uma correção no planejamento do setor, mas não eliminou a confusão".
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