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Assistência médica

Déficit de leitos chega a 50% em algumas regiões

A Organização Mundial da Saúde exige que 6% dos leitos hospitalares sejam de UTI. Em regiões como o Sul e o Sudeste do Brasil essa recomendação é seguida. No entanto, em estados do Norte, a taxa chega a ser de apenas 1,8%. No Paraná, a região Centro-Oeste também tem índices abaixo dos 6%. Para o presidente da Sociedade Brasileira de Terapia Intensiva, Douglas Ferrari, o país ainda investe muito pouco na saúde. "Países como a França aplicam 25% do PIB em saúde. O Brasil investe apenas 8%. São US$ 200 por habitante por ano, enquanto que a Argentina investe US$ 400 e os EUA US$ 2 mil", revela.

Para ele, o país tem capacidade técnica para oferecer um serviço de qualidade, mas o problema estaria no acesso. "A saúde de qualidade é para uma elite. Um paciente do SUS internado em UTI tem um custo aproximado de R$ 1 mil por dia, um de convênio R$ 2,5 mil e um que esteja em hospitais como o Albert Einstein chega a custar R$ 5 mil. E apenas 5% da população que tem convênio tem acesso a serviços top como os do Einstein", afirma.

O Brasil tem hoje cerca de 3,5 mil UTIs, com 30 mil leitos. "Há um déficit de 50%", diz Ferrari. A situação fica ainda mais preocupante se forem consideras as discrepâncias entre os sistema público de saúde e o privado. Do total de UTIs, 50% são do Sistema Único de Saúde (SUS) e 50% são particulares. O problema é que 80% da população que não tem convênio e depende do SUS divide metade dos leitos, enquanto que os 25% que possuem plano de saúde desfrutam da outra metade. "Em média os pacientes atendidos pelo SUS ficam de 48 a 72 horas no pronto-socorro esperando por uma vaga na UTI. Não adianta negar, há diferença de tratamento dentro de um mesmo hospital – quem tem convênio fica em UTIs melhores", afirma. A demora e as deficiências no atendimento se refletem no estado de saúde do paciente. Em média, 50% deles acabam ficando com algum trauma emocional decorrente da permanência no hospital ou da situação que os levou para lá. (CV)

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