Brasília (Folhapress) – A Câmara rejeitou ontem à noite o relatório do Conselho de Ética que pedia a cassação do mandato do deputado Roberto Brant (PFL-MG). Foram 283 votos contrários à cassação, 156 a favor, 18 abstenções e um voto em branco. O resultado da apuração, entretanto, foi recebido por um plenário vazio. A maioria dos deputados se retirou do plenário após a votação, sem esperar pelo resultado. A família de Brant, que acompanhou a sessão das galerias, comemorou e aplaudiu o resultado da votação. Brant não estava no plenário.

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Brant foi citado no relatório conjunto das CPIs dos Correios e do Mensalão como beneficiário das contas do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza.

Ele recebeu, na campanha de 2004, R$ 102.812,76 das contas da SMPB. O dinheiro foi sacado pelo então coordenador político da campanha do deputado à prefeitura de Belo Horizonte, Nestor Francisco de Oliveira. Os recursos, de acordo com Brant, seriam originários do caixa da Usiminas. Em sua defesa, o deputado afirmou que, por ser dinheiro privado, gasto na campanha de 2004, o caso se diferenciava das acusações que pesam contra os parlamentares da base governista, que teriam usado recursos públicos.

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Conselho de Ética

Por 8 votos a 7, o Conselho de Ética da Câmara aprovou no dia 26 de janeiro o relatório de Nelson Trad (PMDB-MS) que recomendava a cassação do mandato de Brant por quebra de decoro parlamentar. Após um empate, o presidente do Conselho, Ricardo Izar (PTB-SP), deu seu "voto de minerva" a favor do parecer de Trad.

No relatório, Trad afirmou que "os fatos apurados assumem o contorno de ilícito eleitoral, a partir do recebimento e utilização de recursos na campanha eleitoral de 2004 sem declaração de origem e destinação na respectiva prestação de contas".

Roberto Brant estava certo de sua absolvição no plenário da Casa. "Sempre acreditei muito no senso de justiça do plenário." Para o deputado, no plenário, os deputados não votam sob pressão.

"Votam com liberdade. Com a liberdade garantida pelo voto secreto. Esta é uma das vantagens da votação secreta. Acaba com as pressões partidárias."

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Brant reafirmou ontem sua intenção de deixar a vida pública. "Uma condenação vale para sempre, uma absolvição não, terei que ser absolvido hoje e pelo resto de minha vida."

Logo após a absolvição de Brant, a Câmara iniciou a votação do processo do deputado Professor Luizinho (PT-SP). Até as 21 horas o resultado ainda não havia saído.