Se por um lado a nova aduana vai dificultar a sonegação de impostos, o comércio ilegal e o tráfico de drogas e armas na fronteira, por outro o controle mais rigoroso já traz perspectivas sombrias para Foz do Iguaçu. Uma delas é o provável aumento da violência.
Preocupada com isso, a Polícia Civil já anunciou que há perspectiva dos furtos e roubos crescerem na cidade, onde a geração de empregos não acompanha o ritmo de construção da alfândega. Em alguns bairros, entre os quais a Vila C, onde 30% dos moradores sobrevivem da atividade informal no Paraguai, a violência já avançou.
"Aqui é uma cidade de fronteira e temos de ter oportunidades especiasis de trabalho", diz o Presidente da Associação de Moradores da Vila C Velha, Eraldo Magalhães. Na semana passada, os moradores do bairro fecharam a entrada da Itaipu Binacional para protestar contra o crescimento das mortes, furtos e roubos.
O secretário da Associação de Ambulantes de Foz do Iguaçu, Walter Negrão, diz que apesar de a aduana não ter sido inaugurada, o impacto do rígido controle da Receita Federal já é uma realidade. Mototaxistas, laranjas trabalhadores que transportam mercadorias para sacoleiros e kombistas já sentem a redução no movimento de sacoleiros no Paraguai. "São milhares de pessoas que vão ficar sem ter o que fazer, e a criminalidade acabará aumentando", diz.
Segundo pesquisa realizada pela prefeitura de Foz do Iguaçu em 2005, pelo menos 67% da população de 308 mil habitantes da cidade dependiam direta ou indiretamente do comércio paraguaio, cuja movimentação financeira repercute nas compras de pequenos mercados de bairro até nas lojas do centro. (DP)