Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Fronteira

Meninas retiradas das ruas fogem do Conselho Tutelar

Presidente da entidade em Foz quer abrigo para adolescentes vítimas de exploração sexual

Blitz contra exploração de crianças e adolescentes em Foz do Iguaçu: meninas resistem em deixar as ruas | Christian Rizzi/Gazeta do Povo
Blitz contra exploração de crianças e adolescentes em Foz do Iguaçu: meninas resistem em deixar as ruas (Foto: Christian Rizzi/Gazeta do Povo)

Foz do Iguaçu - A desestruturação familiar e as falhas nas políticas públicas dificultam a recuperação de crianças e adolescentes vítimas de exploração sexual no Paraná. Na noite de quarta-feira, cinco garotas com menos de 18 anos foram retiradas da Avenida Brasil, no centro de Foz, durante blitz feita pelo Conselho Tutelar, com apoio da Polícia Militar e do Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (Nucria). Menos de duas horas após terem sido resgatadas, três meninas perceberam que o portão do conselho estava aberto e fugiram com tranquilidade.

O presidente do Conselho Tutelar de Foz, José Wilson Teodoro de Souza, diz que a fuga ocorreu porque, no momento, a PM e o Nucria não estavam mais na sede do conselho. Na avaliação dele é necessário um abrigo especial para encaminhar as meninas, caso a família não seja localizada. "Não há política pública para atender esta situação. O Conselho é um órgão que encaminha. Teria que ter um abrigo especial para atender estas adolescentes", diz.

As três adolescentes que fugiram moram em Foz. As outras duas, uma delas grávida, vivem na vizinha Santa Terezinha de Itaipu. Um conselheiro tutelar do município esteve em Foz para buscar as meninas, mas até o fim da tarde de ontem não havia localizado as famílias nem mesmo verificado oficialmente a idade das garotas, porque elas não revelaram o verdadeiro endereço e não portavam documento de identidade.

Durante a blitz, a maioria das adolescentes mostrou agressividade e resistência em sair da Avenida Brasil, onde ganham em média R$ 150 a R$ 200 por noite.

As meninas de Foz, de 13, 15 e 16 anos, já haviam sido atendidas pelo Conselho Tutelar e Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) inúmeras vezes. No entanto, acabaram voltando para a rua. Ainda no início da madrugada de ontem, os conselheiros tentaram localizar pais e responsáveis para serem notificados e levar as garotas de volta para casa. Apenas a pessoa responsável por uma delas foi encontrada, mas não pôde ir à sede do Conselho porque cuidava de duas crianças de colo.

Segundo a chefe da Divisão de Proteção Especial da Secretaria de Assistência Social do município, assistente social Fátima Dalmagro, que acompanhou o trabalho, famílias das meninas estão inseridas em programas de atendimento, mas não há disposição dos pais em resolver a situação.

Fátima considera a situação grave porque há informações que as meninas usam drogas e as próprias prostitutas as inserem na exploração sexual. "Há uma rede de serviço: as maiores já trazem meninas para o grupo, passam a ser aliciadoras", diz. Para resolver o problema, o Conselho Tutelar pretende marcar uma reunião com a juíza da Vara da Infância de Foz e enviar ofício ao Nucria para cuidar do caso perante a família.

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.