Mal se livrou da encrenca da "guerra de documentos" do PT, Tarso Genro passou a ser pressionado a retirar a chancela governamental da proposta de reforma política encaminhada pela OAB e outras entidades. O motivo é a forte reação do Congresso ao projeto que, entre outras mudanças, reduz os mandatos dos senadores e institui a possibilidade de "recall" de parlamentares. O ministro das Relações Institucionais já desmarcou três vezes reunião com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), para tratar do tema, o que foi lido como sinal de recuo. Na terça, Tarso encontra-se com o presidente da OAB, Cezar Britto, que tem expectativa um tanto diversa: "Esperamos que o governo assuma a proposta e, a partir daí, seja feita a negociação com o Congresso".

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Lula 3 – Do deputado Devanir Ribeiro (PT-SP), defensor de plebiscito para permitir que o presidente dispute um terceiro mandato: "Falar em nome do povo é fácil. Quero ver é dar poder para o povo".

Devanir 0 – De Lula, em conversa com partidos aliados, sobre os esforços de seu amigo Devanir para lhe dar a possibilidade de concorrer em 2010: "Há um ano não queria nem aparecer em foto do meu lado. E agora fica inventando essas bobagens".

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Operante – Nos últimos dias, Lula andou recomendando "neutralidade" a peemedebistas que se inclinavam a apoiar Michel Temer na disputa pela presidência do PMDB. Para bom entendedor, já é meio pedido de voto em Nelson Jobim.

Abacaxi – Lula queixou-se a um governador que não passaram por seu crivo os acordos fechados por Arlindo Chinaglia (PT-SP) para se eleger presidente da Câmara. Disse que nunca prometeu entregar um ministério a Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), mas que agora, se não nomear o deputado, será encrenca certa.

Resta um – Duas causas mobilizam José Dirceu no momento: fazer com que o empresário Nelson Tanure compre a revista IstoÉ e evitar que Tarso Genro vire ministro da Justiça. A segunda delas já está perdida.

De fato – A reforma se arrasta, mas Alfredo Nascimento (PR-AM) já se movimenta como ministro dos Transportes, cargo que ocupou até 2006. Conversa diariamente com seu sucessor, Paulo Passos, que deve voltar à Secretaria Executiva, e já discute obras rodoviárias com parlamentares e governadores.

Pressa para quê? – Ao comentar a inadequação do perfil de Waldir Pires para o gerenciamento da crise aérea, um ex-colaborador se lembrou de piada contada à época em que o ministro da Defesa era governador da Bahia. Alguém lhe perguntava se queria o café com açúcar ou adoçante, e ele respondia: "Mas eu preciso decidir agora?".

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Em pauta 1 – Além de propagandear o biocombustível, Lula pedirá a George W. Bush, em suas reuniões com o presidente americano no Brasil, que encampe os esforços pela conclusão dos acordos comerciais da rodada de Doha.

Em pauta 2 – Para não perder o costume, Lula fará novo apelo para que o Brasil consiga vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU.

Bônus – O general Francisco Albuquerque, que acaba de deixar o comando do Exército, ocupará uma cadeira no Conselho da Petrobrás. Por uma reunião mensal, receberá passagens, diárias e um jetom de cerca de R$ 7 mil.

Forma final – Ainda faltam alguns ajustes, mas a cúpula do novo Partido Democrata, ex-PFL, deve ficar assim: Rodrigo Maia na presidência, Gilberto Kassab no comando do conselho político e Jorge Bornhausen à frente da Fundação Liberdade e Cidadania.

Tiroteio

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De José Vicente da Silva, ex-secretário nacional da Segurança Pública, sobre declaração do ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça), segundo quem o governo combate a violência com emprego e educação: – O governo aceitou o fracasso de sua política de segurança. Só falta agora substituir policiais por professores e transformar presídios em escolas técnicas.