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Missão e fé

O caminho de volta

Há 50 anos, missionários norte-americanos chegavam ao Paraná para um trabalho que mobilizaria milhares de pessoas. Hoje, religiosos brasileiros voltam aos EUA

Irmão Hélio e padres Wilson e Ademar (da esquerda para direita), na travessia da ilha de Manhattan para Newark, em missões nos Estados Unidos | Fotos: Albari Rosa/Gazeta do Povo
Irmão Hélio e padres Wilson e Ademar (da esquerda para direita), na travessia da ilha de Manhattan para Newark, em missões nos Estados Unidos (Foto: Fotos: Albari Rosa/Gazeta do Povo)

Newark, EUA - O Santuário Nossa Senhora do Perpétuo Socorro completa amanhã 40 anos de fundação. Desde a sua inauguração, em 1969, foram quatro décadas de fé e devoção que marcaram um capítulo bastante peculiar, não apenas na vida religiosa, mas também turística e cultural de Curitiba. A marca registrada dessa história está nas famosas novenas, que todas as quartas-feiras atraem mais de 30 mil pessoas ao Alto da Glória.

Mas o Santuário, apesar da referência, um ícone da Igreja Católica na capital paranaense, é apenas uma parte, a materialização de um trabalho que começou 10 anos antes, em 1960, com a chegada de religiosos norte-americanos, os missionários redentoristas Tiago Shommber e Tomé McCarthy. O primeiro, já falecido, foi quem celebrou a primeira novena na centenária Capela da Glória, na Avenida João Gualberto. McCarthy, ainda vivo, retornou aos Estados Unidos anos mais tarde.

Eles chegaram a Curitiba vindos do Mato Grosso do Sul – onde surgiu a Província de Campo Grande, que na década de 40 incorporou também o Paraná –, estabelecendo-se em Curitiba no início da década de 70. Com a adaptação dos primeiros padres, vieram outros. Os missionários assumiram outras paróquias, em outras cidades, e se espalharam pelo Paraná e Mato Grosso do Sul.

Como não era intenção dos norte-americanos perpetuarem no comando das paróquias no Brasil, iniciou-se também um trabalho de formação de padres tupiniquins. A ideia era preparar religiosos nativos e entregar o legado. Até a ordenação do padre Armando Russo, em 1949, todos os padres eram dos EUA. Desde 1930, trabalharam na Província de Campo Grande/Paraná mais de 50 norte-americanos. Hoje, de um grupo de 70 religiosos, apenas seis são estrangeiros.

Com a comunidade consolidada, era chegada a hora da retribuição. Foi então que, em maio de 2001, os padres brasileiros, formados por seus pares dos Estados Unidos, começaram a fazer o caminho de volta. Há oito anos, a paróquia de St. James, em Newark, estado de Nova Jersey, está sob a responsabilidade de religiosos do Brasil. O atual pároco, padre Pedro Hélio, conta que a igreja, a 30 minutos de barco da ilha de Manhattan, em Nova Iorque, é quase que uma extensão do consulado brasileiro. "O trabalho pastoral é nossa prioridade, mas num reduto de imigrantes, de várias partes do mundo, o acolhimento social, psicológico e até jurídico também faz parte da nossa missão."

Os missionários brasileiros desembarcaram nos Estados Unidos a pedido da Província de Baltimore. O padre Joaquim Parron, superior provincial no Brasil, conta que nos últimos 20 anos a Igreja Católica norte-americana experimenta uma redução significativa no número de padres. "Entre os motivos está a concorrência com outras doutrinas. Mas há, principalmente, falhas no processo de formação e escândalos envolvendo os religiosos, que muitas vezes afastam novas vocações", diz o sacerdote. "De qualquer forma, fomos chamados à missão, a fazer aquilo que nos foi colocado, e nós aceitamos, como o único modo de vida, seja no Brasil, nos Estados Unidos ou em qualquer lugar do mundo." Parron cita outros padres da província brasileira que estão em missões fora do país, com Man Yong Lee, na Coréia, Charles Coury, no Líbano e Jorge Watthier, enviado ao Suriname.

Mato Grosso

Nas terras do Pantanal, mais precisamente Miranda e Aquidauana, Diocese de Corumbá, os primeiros missionários chegaram em 1930, vindos da Província de Baltimore, a chamada Província Mãe, que fica próximo a Washington DC. O objetivo, conforme descreve o padre Gelson Luiz Mikuska, no livro Fé e Missão, que conta a saga desses religiosos, era apoio ao trabalho de evangelização em regiões de vasta extensão territorial e difícil acesso, com pouca disponibilidade de padres. Além da missão pastoral, movida pelos ideais de Santo Afonso, o fundador da Congregação do Santíssimo Redentor (CSsR), a província criou escolas, centros sociais e investiu na pregação através das rádios, como forma de atender às demandas inerentes à vocação, mas também sociais e de educação.

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