
É caroço de cacau, fermentado, seco ao sol, torrado e triturado. Mas há quem prefira chamar de alimento dos deuses. A Páscoa é o período do ano em que se torna quase impossível resistir ao chocolate. Uma infinidade de ovos e bombons está nas prateleiras de lojas e supermercados e tão difícil quanto ignorá-los é escolher entre tantas opções.
Os chocolates mais comuns no mercado nacional são o ao leite, o branco, o meio amargo e o amargo. Segundo a chocolatier Rose Petenucci, o que diferencia uns dos outros é a quantidade de cacau existente na composição. O chocolate ao leite tem 32% de cacau e o meio amargo tem entre 40% e 45%. Acima disso, passa a ser considerado amargo. "O chocolate branco é feito com a manteiga de cacau, por isso, tem o maior teor de gordura", explica.
A legislação recomenda a quantidade mínima de 32% de massa de cacau, mas é comum a substituição por ingredientes que reduzem os preços do produto, e prejudicam a qualidade. "A formulação contém massa de cacau, manteiga de cacau e açúcar, e a qualidade do alimento está relacionada à proporção desses ingredientes", explica Rose.
Na hora de escolher o chocolate mais saudável, não são as calorias que devem ser levadas em consideração. "As calorias existentes em cada tipo de chocolate variam muito pouco. É a quantidade de gordura, principalmente a saturada, que deve ser observada", sugere a nutricionista Valéria Mortara. A melhor opção, segundo ela, é o chocolate em barra e quanto maior a proporção de cacau, melhor. "Bombons recheados contêm gordura hidrogenada, excesso de açúcar, além de aromatizantes e corantes que não são bons para o organismo", explica.
Se consumido em quantidade adequada, o chocolate pode trazer inúmeros benefícios à saúde. Além de conter substâncias antioxidantes que previnem o envelhecimento precoce e melhoram o perfil de colesterol, o cacau é rico em magnésio, que é muito importante para a produção de energia. "O magnésio também é fundamental para a produção da serotonina, responsável pela sensação de bem-estar", acrescenta a nutricionista.
Atenção ao limite
Para garantir que o consumo de chocolate seja mais benéfico do que prejudicial, Valéria recomenda que a ingestão diária seja de 25 a 30 gramas, o equivalente a três ou quatro quadradinhos de um tablete. "Nessa quantidade, o consumo pode ser diário e por toda a vida, inclusive para crianças", garante.
Outra dica é deixar o chocolate para a sobremesa e não comê-lo quando está com fome, já que o alimento é rapidamente absorvido pelo organismo. "Aí você tem o que a gente chama de hipoglicemia de rebote, também chamado de gosto de quero mais", explica.
Além de deixar para saborear o chocolate depois da refeição, há outra maneira de prevenir o gosto de quero mais e o consequente excesso. "A dica é escovar os dentes, a língua e a bochecha para tirar a gordura do que adere. Isso interrompe o estímulo de continuar comendo", ensina.
Quem, ainda assim, não conseguir evitar os excessos da Páscoa, pode sofrer com desconfortos gastrointestinais. "Nessa hora, o melhor é tomar bastante água para se hidratar, comer alimentos leves, evitar leite e açúcar em excesso", sugere a nutricionista.



