A dor provocada pela perda de um filho é imensurável por se tratar de uma fatalidade que quebra uma lógica da vida. A psicóloga Renate Vicente, especialista em Psicologia Analítica, explica que a morte de uma criança é um caso de crise imprevisível. "É um acontecimento fora de ordem, que quebra uma série de investimentos psíquicos com o filho e que vai remeter a família a um processo de perda e de luto", afirma.
O luto pode se desencadear em um processo normal, em que a tristeza é superada com o tempo, ou de uma forma complicada. "A pessoa passa a viver para manter a lembrança de quem morreu", conta Renate. A psicóloga Joyce Kolinski Fischer, especialista em saúde mental, reforça que o luto em casos de perda de filhos costuma ser mais difícil. "Os pais precisam de um tempo mais longo para elaborar a perda. Mortes repentinas ou violentas dificultam a elaboração do luto", explica Joyce.
Essa dificuldade de superação pode vir acompanhada de alguns sintomas, como depressão, desatenção a outros filhos, desinteresse por atividades do cotidiano, deixar de comer ou dormir, faltar no trabalho ou em outros compromissos. "Esses são sinais de que a pessoa precisa de uma atenção maior", diz Joyce.
Familiares e amigos precisam estar atentos para procurar ajuda profissional, se necessário. "Uma vivência de luto é muito dolorosa. Cada um passa por esse processo de acordo com sua estrutura, mas ninguém precisa passar por isso sozinho", afirma Joyce. Já Renate reforça que os pais não devem ficar se culpando. "Coisas ruins acontecem com pessoas boas. A vida é o que a gente vai fazer com tudo o que acontece, seja bom ou ruim", considera.
Além disso, a morte em uma data comemorativa (o acidente ocorreu em uma festa de casamento) acaba marcando a celebração. "É difícil desvincular totalmente. As pessoas levam anos para voltar a comemorar a data", avalia Joyce. A especialista explica que a perda acaba sendo superada e amenizada com o tempo, diante de acontecimentos positivos que ocorrerem nos anos seguintes.
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