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Polícia federal

PF prende 25 acusados de pedofilia

Operação “Glasnost” desarticula rede de compartilhamento de imagens pornográficas de crianças e adolescentes a partir de site na Rússia

Segundo o delegado Flávio Setti, as vítimas das imagens tinham de 6 meses a 16 anos de idade | Rodolfo Buhrer/Folhapress
Segundo o delegado Flávio Setti, as vítimas das imagens tinham de 6 meses a 16 anos de idade (Foto: Rodolfo Buhrer/Folhapress)

A Polícia Federal (PF) deflagrou ontem a maior operação de combate à pedofilia no Brasil com a prisão de pelo menos 25 pessoas – 24 delas em flagrante – em 11 estados. Elas são suspeitas de compartilhar imagens pornográficas de crianças e adolescentes a partir de um site hospedado na Rússia. Por isso, a operação foi chamada de "Glasnost" (que significa transparência, em russo).

INFOGRÁFICO: Confira como funcionava o esquema e a operação da PF

Sete acusados foram detidos no Paraná – quatro em Curitiba e os outros em Londrina, Apucarana e Campo Mourão. Ao todo, foram expedidos 86 mandados de busca e apreensão cumpridos por cerca de 400 policiais. Segundo a PF, cerca de 200 brasileiros ainda são investigados e outras prisões podem ser decretadas. Também estão sob suspeita dois brasileiros que moram nos Estados Unidos. Um deles está sendo procurado pelo FBI, a polícia federal norte-americana.

Segundo o delegado da PF Flávio Setti, responsável pela operação, as vítimas nas imagens tinham de 6 meses a 16 anos de idade e eram de ambos os sexos. Entre os detidos pela polícia estão um policial militar, um soldado da Aeronáutica, diversos professores, um chefe de grupo de escoteiros e também os próprios pais das vítimas.

As investigações ocorrem há dois anos e foram iniciadas depois que pedófilos presos passaram a mencionar repetidamente o nome do site russo. A partir disso, a PF investigou os brasileiros que faziam parte do site, são cerca de 300 os perfis monitorados. "É uma operação de grande envergadura e repercussão, conseguimos um volume muito grande de conteúdo relacionado à pornografia infantil. O anonimato na internet é um mito, pois tudo o que é feito deixa rastro. Qualquer ato na internet é passível de investigação", afirma Setti.

O delegado diz que a troca de imagens gerava um círculo vicioso de abuso para obter novos materiais pornográficos. "Além de eles incentivarem a prática absurda da pedofilia pelo compartilhamento de imagens, acabam também produzindo imagens para usar como moeda de troca e conseguir novos materiais."

Posse é crime

O delegado lembra que só a posse de imagens de pornografia infantil já é crime pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), com pena prevista de um a quatro anos de reclusão. Se há o compartilhamento dessas imagens, a pena aumenta para de três a seis anos e, se há comprovação do abuso sexual, a punição é ainda maior.

A PF cumpriu mandados de busca no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro, Alagoas, Ceará, Maranhão, Minas Gerais, Bahia e Goiás. No Paraná, a operação ocorreu nas cidades de Fazenda Rio Grande, Curitiba, Almirante Tamandaré, Mandirituba, Pa­ranavaí, Campo Mourão, Ma­ringá, Londrina, San­to An­tônio da Platina e Apu­carana.

Polícia investiga fotos sensuais no Facebook

Rafael Neves

O Núcleo de Combate aos Cibercrimes (Nuciber), da Polícia Civil do Paraná, investiga uma página do Fa­cebook que expõe fotos de adolescentes seminuas, supostamente de Curitiba, desde a última segunda-feira. Segundo o delegado titular do Nuciber, Demétrius Gonzaga de Oliveira, a polícia tenta identificar quem colocou as imagens na internet e se elas são verdadeiras ou ou não. "Nosso trabalho é fazer o rastreamento da página para descobrir indícios que levem à autoria [do crime] o mais rápido possível", disse.

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