Atualizado em 14/07/06 às 17h49
Presos da Cadeia Pública de Campo Mourão, no Noroeste do Paraná, fizeram um motim na madrugada desta sexta-feira (14), que só foi contido com a chegada da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros. Os rebelados destruíram a maior parte das celas da meia-noite às 3 horas. O superintendente da delegacia, Job de Freitas, nega que a rebelião tenha ligação com os atentatos violentos de São Paulo, deflagrados pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) desde o início da semana.
"Os motivos foram os mesmos de sempre. Eles reivindicam o andamento dos processos", afirma Freitas. A cadeia de Campo Mourão está superlotada. Com capacidade para 64 presos, abriga atualmente 130. A maioria já teria sido condenada e deveria ter sido transferida do local.
Não houve reféns na rebelião. Paredes e câmeras de circuito interno de tevê foram danificadas e portas de ferro arrancadas. A galeria "A" da cadeia, com seis celas, foi a que ficou mais destruída. Com a chegada do Batalhão de Choque da Polícia Militar, dois dos rebelados foram feridos por balas de borracha. A confusão só acabou quando os bombeiros jogaram água nos rebelados.
Os 70 presos da ala "A" estão concentrados no solário da cadeia, até que as reformas sejam concluídas. "Elas já estão sendo executadas e devem levar de 48 a 72 horas para ficarem prontas", estima Freitas. Em decorrência da rebelião e dos estragos, o superintendente informou que a visita aos presos, que deveria acontecer neste sábado, está suspensa. Ele disse ainda que os prejuízos ainda não puderam ser calculados.
Sarandi
Por volta de 11h, 142 presos do Setor de Carceragem Temporária da Delegacia de Polícia de Sarandi, região Noroeste do estado, iniciaram um tumulto dentro das celas. O motim foi controlado 40 minutos depois do início. Dois carcerários tiveram ferimentos leves - apenas escoriações - e alguns presos foram atingidos por balas de borracha, usado para conter a confusão.
O tumulto teria começado, segundo o superintendente Mário Sérgio Machado, após a recusa de um detento de sair da cela. "A Vara de Execuções Penais da cidade determinou a transferência de três presos para a Penitênciária Estadual de Maringá. Um deles se recusou. Os carcerários entraram para retirá-lo e daí começou o tumulto", diz o superintendente. Machado deixou claro que a confusão desta manhã não tem nenhuma relação com os atentados violentos de São Paulo, praticados por integrantes da facção criminosa PCC. "Aqui (Sarandi) não temos nada de PCC. É só o pessoal do PC, os pé de chinelo", disse o superintendente em tom irônico.
As visitas deste sábado foram suspensas por uma ordem judicial, mas poderão ser retomadas, de acordo com o comportamento dos presos, na próxima semana. A carceragem, que tem capacidade para 60 presos, estava superlotada com 142 presos. Desde o início do ano já foram registradas três fugas.
Secretaria de Segurança nega envolvimento do PCC A Secretaria de Segurança Pública do Paraná (Sesp) informou no fim da tarde desta sexta-feira que a rebelião em Campo Mourão e o início do motim na carceragem de Sarandi não têm nenhum envolvimento com a facção criminosa PCC. A Sesp ratifica que as forças policiais especializadas e o Departamento de Inteligência estão em alerta máximo para evitar que aconteçam no Paraná ações similares às que vêm acontecendo em São Paulo.
Ônibus incediados
Nesta quarta e quinta-feira, dois ônibus de linha de Cascavel e de Foz do Iguaçu, no Oeste do Paraná, foram incendiados. Nnguém ficou ferido. As cidades ficam na mesma região do presídio federal de segurança máxima recém inaugurada de Catanduvas, para onde devem ser transferidos nos próximos dias alguns dos presos mais perigosos do país. A notícia da ida destes presos seria um dos motivos dos atentados violentos ocorridos em São Paulo. As autoridades creditam as ações a vândalos e negam ligações com os ataques do PCC. Veja como ficaram os ônibus nas imagens registradas pela TV Paranaense.
Alerta de segurança
O Paraná está em alerta máximo para evitar ataques como os que vêm acontecendo em São Paulo nos últimos dias. Em nota oficial na manhã desta quinta-feira, a Secretaria de Segurança Pública informou que as forças policiais especializadas e o Departamento de Inteligência estão trabalhando ininterruptamente e que foi determinado reforço policial em alguns locais estratégicos. Estes não podem ser divulgados por questões de segurança. O comandante da Polícia Militar do Paraná, coronel Nemésio Xavier de França Filho, lançou um alerta para toda a corporação. Ele também recomendou que os policiais evitem sair fardados nas ruas fora do horário de expediente.
Maio violento
No dia 14 de maio deste ano, 128 presos da cadeia de Campo Mourão promoveram uma rebelião do local. Cinco presos e um carcerário foram feitos reféns, ficando dois feridos. Foram 16 horas de negociações. O motim aconteceu dois dias após o início da primeira onda de atentados violentos em São Paulo, também ordenados pelo PCC. Na ocasião, os presos se identificaram como integrantes da facção criminosa.
Na seqüência, houve motins em São José dos Pinhais, Assis Chateaubriand, Umuarama, Toledo, Ponta Grossa e Foz do Iguaçu. Em um primeiro momento, as autoridades do Paraná também negaram qualquer ligação com o bando paulista. Mas em entrevista à Rádio CBN, o secretário de segurança Luiz Fernando Delazari reconheceu que, em alguns casos, houve ligação com a organização criminosa.
Assista a reportagem em vídeo do ParanáTV sobre o motim em Campo Mourão



