O retrato falado ajuda a encontrar o criminoso em 70% dos casos em que é utilizado. Os dados são do Instituto de Criminalística do Paraná. Mas você sabe no que é preciso prestar atenção para descrever o rosto de um criminoso?
Quem dá as dicas é Jorge Luiz Werzbitzki, especialista em prosopografia descrição das feições do rosto e verificação de semelhança fisionômica em documentos para fins de identificação criminal , que há 22 anos trabalha no Instituto de Criminalística. Em toda a sua carreira, ele calcula ter realizado mais de 10,5 mil desenhos. Por mês, a média é 40 retratos, para atender as todas as delegacias do Paraná. "Geralmente, fazemos um retrato-falado nos casos em que a Polícia não tem pista nenhuma do bandido", diz.
Werzbitzki utiliza a técnica de desenho manual. Para facilitar a descrição, o rosto é dividido em cinco partes: cabelo, olhos, nariz, boca e queixo. A pessoa que está descrevendo tenta identificar, num catálogo de fotos, os diferentes tipos de cada parte do rosto, para montar o retrato. De acordo com o perito, os olhos são a parte principal. "A expressão do olhar é o que conta. Os olhos representam 50% da descrição", explica.
Segundo ele, as pessoas geralmente conseguem descrever 30% do rosto. São as perguntas direcionadas do perito que conseguem fazer com que as vítimas lembrem-se de detalhes como rugas ou manchas. "Às vezes é difícil para pessoas precisarem uma característica, nesse caso, vale mais pecar pela falta do que acrescentar detalhes que não existem", diz.
Ele comenta também que a descrição será mais precisa se a pessoa passou por um momento de tensão. "Se foi atacada por um desconhecido, ela terá a intenção de gravar o rosto do agressor. Se for alguém que ela vê todo dia, não terá a preocupação de memorizar sua fisionomia", afirma.
O que pode acontecer, lembra Werzbitzki, é o bloqueio de memória. "Às vezes, as pessoas não querem lembrar do que aconteceu", conta. Para lidar com esse tipo de dificuldade, o Instituto de Criminalística adotou, desde 1983, a hipnose método inédito no país como técnica para auxiliar na confecção do retrato falado. O trabalho é desempenhado pelo psiquiatra Rui Fernando Cruz e pode ajudar, inclusive, a lembrança de outros detalhes.
Observar características secundárias também pode contribuir para identificação do marginal. De acordo com Werzbitzki, existem situações em que o agressor pede para não ser olhado no rosto e a vítima não deve se arriscar. Alguns detalhes, como o tipo de roupa, podem revelar se o bandido não pertence a alguma gangue, por exemplo.
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