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Servidores querem retirada de projeto que adia reajuste; governo diz que greve é política

Assembleia dos professores na quarta-feira (12) | Antônio More/Gazeta do Povo
Assembleia dos professores na quarta-feira (12) (Foto: Antônio More/Gazeta do Povo)

O anúncio da suspensão do projeto do governo que corta reajuste para o funcionalismo público do Paraná não foi suficiente para barrar a mobilização de servidores de diferentes categorias. Segundo o Fórum das Entidades Sindicais do Paraná (FES), caso não haja retirada da Mensagem 43, que trata do assunto, na Assembleia Legislativa, a greve de professores universitários e da educação básica deve ser engrossada depois do dia 19, próxima quarta. Será nesta data que o governo irá se reunir com representantes dos trabalhadores para negociar um desfecho para a situação.

Coordenadora do FES e diretora da APP-Sindicato, Marlei Fernandes afirmou que, a princípio, a suspensão da tramitação do projeto no Legislativo não muda nada. “Fizemos uma avaliação do documento e entendemos que não é a proposta dos servidores. A nossa proposta é retirar o projeto, manter a data-base e abrir negociação sobre todas as dívidas com o servidor, como contratações e progressões”, diz. Conforme a sindicalista, na próxima semana, os servidores devem buscar apoio de deputados.

Marlei salientou que há um esforço das direções sindicais para unificar as ações grevistas. Os professores da rede pública aprovaram a paralisação com início na segunda-feira (17) . Os policiais civis aguardam deliberação em assembleia nesta sexta-feira (14), em Curitiba, para definir se inicia a greve dia 17. No interior, os servidores consultados já concordaram com a adesão. Leia mais sobre outras categorias no box ao lado.

“Tudo vai depender agora de como será o debate de cada categoria para termos uma greve geral. Estão sendo feitos debates regionais porque são sindicatos menores”, afirma a coordenadora do FES.

O Paraná tem hoje, segundo dados da Secretaria de Administração e Previdência (Seap), cerca de 150 mil servidores públicos estaduais na ativa.

Governo fala em greve política e pede compreensão a servidores

No governo do estado, o discurso a respeito da greve dos professores é unificado. A paralisação tem claro viés político e é fruto da irresponsabilidade dos docentes diante do momento econômico do país. Mais do que isso, o Executivo acredita que a APP-Sindicato não tem o apoio da categoria e será rechaçada por pais e alunos. Sobre a suspensão da data-base, o posicionamento continua o mesmo: não há como pagar, simultaneamente, reajuste salarial e promoções e progressões.

Entre os integrantes do governo e deputados aliados na Assembleia Legislativa, a alegação mais recorrente é a situação financeira dos outros estados. Eles citam principalmente o Rio Grande do Sul, que está pagando o salário do funcionalismo em parcelas de apenas R$ 180. “O Paraná é o único estado pagando em dia os seus servidores. Eles têm de dar graças a Deus que por aqui tudo está certo”, diz um membro do staff do governo Beto Richa (PSDB).

Tachando os professores de “injustos” com o governo, eles defendem que a paralisação tem caráter político, sobretudo pelo fato de parte da direção da APP ser ligada ao Partido dos Trabalhadores (PT). “É um desespero político completo, depois de a esquerda perder credibilidade. Basta ver o resultado dessas eleições.”

Para a cúpula governista, a greve só foi deflagrada devido à ocupação por estudantes de 300 escolas em todo o estado. “Isso resolve a questão do desconto em folha dos dias parados”, diz um parlamentar da base.

Resposta

De um lado, o Executivo cobra dos professores que sentem à mesa e negociem. Eles argumentam que, desde o início, já havia ficado claro que o projeto que suspende a data-base só seria votado a partir do fim do mês de novembro na Assembleia. “É preciso ter juízo. Sentar e negociar”, afirma um governista.

Em paralelo, aliados de Richa defendem uma campanha de comunicação maciça. O objetivo seria mostrar o cenário econômico nacional, os ganhos reais dos servidores na gestão do tucano e o prejuízo à população se todo o orçamento for alocado no pagamento de pessoal. “Também temos que mostrar que essa greve ocorre num momento muito ruim, com Enem e vestibular batendo à porta. Não dá para ceder tanto e prejudicar todo mundo. Os professores precisam pensar um pouco menos em si e mais na comunidade.”

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